“Uma Aventura Lego” me entregou, como espectadora, tudo o que eu estava esperando. Um filme divertido, engraçado, com várias referências à cultura pop cinematográfica, animação fantástica dos bonecos (movimentos e efeitos), e uma lição de moral com conteúdo otimista no final.

O roteiro não é nada de muito original. A famosa jornada do herói, que podemos identificar em “Matrix”, “Guerra nas Estrelas”, “Harry Potter” e “Senhor dos Anéis” conta com o mito d’O Escolhido que nada sabe sobre seu potencial, e que, à princípio, não apresenta as habilidades necessárias para lidar com os perigos que virão, mas ao longo do filme e, muito provavelmente, com a ajuda de um velho ancião sábio, encontrará a força dentro de si, a partir do momento em que acreditar que é capaz. Uma ligeira diferença, comum em filmes infanto-juvenis, é a transformação desse mito em uma verdade universal que pode ser alcançada por qualquer um que acredite em si mesmo, expandindo a recompensa e a aventura ao espectador comum.

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Apesar da dublagem estar muito boa, vale a pena conferir a versão legendada, ainda mais se você conhecer os atores e quiser ouvir Morgan Freeman, Liam Neeson e Will Ferrell fazendo piadas. E a música tema com a participação de Lonely Island.

O que nos leva a outro ponto fundamental: “Uma Aventura Lego” é para todas as idades. Apesar de uma certa ingenuidade intrínseca, sobretudo na resolução da estória, em nenhum momento somos tomados por um diálogo piegas infantil ou uma trilha sonora dramática exagerada. O clima é de fanfarronice e sátira. E muitas das referências serão ainda mais apreciadas por frequentadores mais antigos da tela grande.

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Para além das muitas piadas, a narrativa é inteligentemente fundamentada em conceitos básicos do lego como brinquedo – sua versátil capacidade de ser montado de inventivas e diversas maneiras e a contradição entre querer brincar e querer montar um cenário perfeito que não deve mais ser tocado. Os diretores Phil Lord e Christopher Miller fizeram um excelente trabalho ao dar voz a uma estória cujo universo é bastante representativo da brincadeira de Lego em si, e não só uma trama divertida que poderia se passar em qualquer contexto com quaisquer personagens, mas ambientada com legos. As escolhas que fizeram trouxeram ao público algo com o qual poderiam se relacionar, bastante próximo da lógica de uma criança brincando.

Chegamos então no viés político do filme. Existem dois lados a serem analisados. Um é que, como era de se esperar, “Uma Aventura Lego” é uma grande publicidade para os muitos mundos do Lego e suas infinitas possibilidades de combinação. Uma grande jogada de marketing que fará milhões de criancinhas implorarem para seus pais comprarem tudo que viram ali e fará muitos adultos nostalgicamente abrirem suas caixas de lego antigas. E por outro lado, o enredo tem como vilão um empresário, dono de uma das maiores empresas da cidade, que controla setores da indústria cultural, armamentista, eleitoral, etc, tudo no intuito de controlar os cidadãos para serem padronizadamente felizes e satisfeitos, nunca questionando a ordem das coisas. Enfim, uma mensagem sutil em meio ao contexto capitalista. (tinha que ser dito hehe)

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Tudo isso pra dizer que “Uma Aventura Lego” é extremamente divertido e foge de certas convenções clichês ou piegas, mantendo o fluxo narrativo ao se apoiar em piadas e referências muito engraçadas.