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“Velozes e Furiosos 6” acelera nos exageros para conquistar o público

A série de filmes “Velozes e Furiosos” é algo curioso no cinema americano. Depois que o primeiro filme, dirigido por Rob Cohen em 2001, fez sucesso no mundo inteiro e que a continuação, comandada por John Singleton dois anos depois,  arrecadou bastante também, embora fosse muito inferior, parecia que qualquer coisa que viesse em seguida seria como se os realizadores dessem voltas em círculos. E foi exatamente o que aconteceu com a terceira parte, agora dirigida por Justin Lin, que mesmo com uma história e personagens novos até então, não mostrava muita evolução. Mas foi a partir deste filme que as coisas mudaram. Lin e o roteirista Chris Morgan acharam melhor trazer de volta os personagens do primeiro filme para a quarta parte, com uma trama que se passava antes do Desafio em Tóquio. A principal diferença é que os rachas de carros ficaram em segundo plano para dar lugar a uma trama policial. Como deu certo, a quadrilha liderada por Dominic Toretto (Vin Diesel) e o ex-policial Brian O’Conner (Paul Walker) voltou com tudo para um quinto filme (parcialmente gravado no Rio de Janeiro) e agora para “Velozes e Furiosos 6” (“Fast and Furious 6”).

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Depois de roubarem US$ 100 milhões num golpe arriscado no filme anterior, Dom e Brian (que agora é pai de um filho com a irmã do amigo, Mia, vivida por Jordana Brewster) foram viver na Espanha, onde não podem ser extraditados. Tudo ia bem, até o ressurgimento do agente Hobbs (mais uma vez interpretado por Dwayne Johnson, que está cada vez mais forte), que dessa vez não quer prendê-los, mas sim pedir sua ajuda para pegar uma quadrilha de mercenários que usam veículos rápidos e tecnologia para cometer diversos golpes. Dom recusa a proposta, mas quando descobre que sua ex-namorada Letty (Michelle Rodriguez), que supostamente morreu em “Velozes e Furiosos 4”, faz parte do bando, ele acaba aceitando fazer parte da operação para saber o que realmente aconteceu com ela. Assim, os dois chamam seus parceiros, que estão em várias partes do mundo para se juntarem a eles em Londres, onde estariam os criminosos. Se conseguirem, todos terão suas fichas limpas de suas contravenções.

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O diretor joga para a plateia e dá para os fãs da série o que eles realmente gostam: carrões, perseguições em alta velocidade, ação incessante e algumas piadas. Tudo sem nenhuma vergonha de admitir o seu ridículo no exagero. O engraçado é que uma das cenas mais empolgantes não tem nada a ver com veículos, mas sim com uma briga envolvendo as personagens de Michelle Rodriguez e Gina Carano, revelada por Steven Soderbergh em “A Toda Prova”, que aqui vive a agente Riley, que trabalha em parceria com Hobbs. Mas Justin Lin também se mostra habilidoso nas sequências com vários carros, especialmente naquela em que Dom e sua equipe precisam deter um tanque comandado pelo líder dos bandidos, Shaw (Luke Evans) numa autoestrada e também na parte final.

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O filme peca, no entanto, quando tenta usar outros elementos que não sejam a ação espetacular na sua história. O elenco não tem nenhuma atuação que se destaque (embora muita gente goste do jeito marrento que Vin Diesel pronuncia as suas falas), mas o roteiro usa um monte de frases feitas, dessas que se encontram em livros de autoajuda bem clichês. O vilão interpretado por Luke Evans não possui muito carisma e é bastante genérico. Além disso, algumas cenas, como o “pega” entre Dom e Letty em Londres, parecem deslocadas do resto do filme, o que é irônico, já que as corridas clandestinas eram a “essência” da primeira parte da franquia. As reviravoltas na trama não são muito surpreendentes, mas não comprometem a diversão.

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No fim das contas, “Velozes e Furiosos 6”, mesmo com 130 minutos de duração, passa correndo pelos olhos do público como uma boa sessão da tarde, sem querer ser uma grande obra para o cinema. Mas, com certeza, essa não era a intenção de seus realizadores, que só pretendiam divertir os espectadores e ganhar um bom dinheiro com isso. O objetivo, aliás, foi alcançado, especialmente pela ótima bilheteria nos EUA. Porém, não pense que tudo acaba aqui. Fique no cinema após o fim do filme, pois tem uma cena extra durante os créditos que entrega que vem aí a sétima parte, com a participação de alguém bem conhecido para os fãs de ação.

 [xrr rating=3/5]

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Publicado por Célio Silva

Célio Silva

Sou um cara que, desde que viu Flash Gordon na telona, com 7 anos de idade, sempre foi apaixonado por cinema. Também curto muito TV, música e livros. Mas é na sétima arte que sinto o maior prazer.

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