Alex ama sua família, mas tem dificuldade em se conectar com Sam, o filho autista de oito anos. A tensão crescente da rotina leva seu casamento ao ponto de ruptura. Jody não aguenta mais o marido ausente e que pouco participa da vida do filho. Então Alex vai morar com o melhor amigo, e passa a dormir no colchão inflável mais desconfortável do mundo. Enquanto Alex enfrenta a vida de homem separado, cumpre a função de pai em meio expediente e é confrontado com segredos de família há muito enterrados, seu filho começa a jogar Minecraft. E o que acontece depois disso é algo que nem Alex, nem Jody, nem Sam poderiam imaginar.

Em O menino feito de blocos (A boy made of blocks), publicado pela Record,  temos um nítido retrato do relacionamento de uma família com o autismo. Uma condição neurológica que guia a história e mostra muita coisa sobre essa situação mal compreendida. Escrita pelo editor de jogos do jornal The Guardian, Keith Stuartpai de um menino que foi diagnosticado há quatro anos com o Transtorno do Espectro Autista, ou TEA. O autor conhece intimamente a realidade familiar das crianças autistas, dentro de uma sociedade ainda lamentavelmente ignorante do que significa a TEA, que segrega os amigos e parentes da situação apresentada. Mas, no caso dele, algo diferente aconteceu: seu trabalho com jogos e TI foi um meio de comungar com seu filho e, eventualmente, a faísca para um florescimento imprevisto de entusiasmo e linguagem. Mais do que qualquer outra coisa, isso era verdade para o mundo virtual de Minecraft, criado por um desenvolvedor sueco chamado Markus Persson , e lançado para o mundo em 2009. Minecraft tem promovido uma subcultura inteira entre as pessoas autistas, porque abre a possibilidade de uma espécie de interação social livre das nuances estranhos e distrações do mundo real.

E foi assim que surgiu a história de Alex e Sam, baseada nos sentimentos que o autor tem com o seu filho. E uma vez que o leitor compartilha o conhecimento, fica difícil diferenciar entre o autor e o narrador, uma vez que o romance é contado em primeira pessoa. Isso se torna um pouco mais fácil à medida que o livro continua, mas no começo indagava constantemente quais eventos eram “verdadeiros” e quais eram ficção.

À medida que o livro se abre, vamos conhecendo os personagens e ao longo da narrativa encontramos alguns problemas que ligam Alex a uma  tragédia de sua infância que continua afetando todos os membros de sua família. O sofrimento e a culpa impediram Alex de investir plenamente em seu casamento e em seu papel de pai. Uma parte do livro não tão eficaz, que poderia ter sido mais curto, sem nenhum trauma a narrativa principal.

Mas a melhor parte é o envolvimento com o mundo de Minecraft.  Já tinha jogado, por causa dos meus alunos, e ver como ele pode ajudar as pessoas. Pensava que o jogo envolveu simplesmente construir coisas, mas é muito mais complexo que isso. Os personagens tornam Minecraft sua bússola para um portal onde Sam chega ao um mundo bem mais amplo.  E o pai, começa a compreender a perspectiva única de Sam sobre o mundo e vê-lo como uma pessoa a ser amada, não um problema a ser resolvido.

O livro tem mais de 400 páginas, mas de leitura rápida, é ´possível terminar em um único dia. A linguagem poderia ser melhor, mas tem um bom ritmo narrativo. Eu recomendo este livro aos leitores que gostariam de conhecer mais sobre as crianças com autismo e os desafios que suas famílias enfrentam dia após dia. Não é nenhuma surpresa para mim que muitos casamentos não possam resistir às pressões que são soberbamente descritas neste livro. Recomendo.