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Black Sabbath faz apoteose metal no Rio

Três anos depois, na mesma Praça da Apoteose, a formação clássica do Black Sabbath retorna, mas dessa vez não foi para divulgar um novo álbum, e sim para se despedir. Ok, muita gente duvida que Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler nunca mais se apresentem juntos. O próprio guitarrista admitiu que sairá um novo disco e poderá haver apresentações eventuais. Mas a turnê, como diz o nome, “The End”, vem com a promessa de ser a última dos britânicos.

Com isso, em pleno dia do samba (2 de dezembro), os fãs cariocas de Heavy Metal compareceram em massa no sambódromo (que também recebeu os jogos olímpicos), para conferir de perto os pais do gênero, um dos vértices da santíssima trindade do rock setentista, que se completava com Led Zeppelin e Deep Purple.

E o clima era mesmo de uma festa de despedida. O público aficionado por metal, sobretudo na América Latina, é conhecido pela devoção. Mas a ansiada espera pelo Sabbath não apagou a atração de abertura, o Rival Sons. A banda californiana fez um show competente e foi muito bem recebida pela plateia. A sonoridade remete justamente ao Sabbath, Zeppelin e Purple. Uma  escolha bastante apropriada para aquecer o público. Um rápido intervalo e as luzes voltam a se apagar. É hora do culto.

Quando os três telões do palco exibem imagens apocalípticas, é a deixa para a entrada do trio, mais o baterista Tommy Clufetos (que também é baterista da banda de apoio de Ozzy). O original, Bill Ward, até participou dos shows de reunião nos anos 90 e 00, mas não retornou para as duas turnês mundiais. Nos teclados de apoio, há uma luxuosa participação de Adam Wakeman, filho de Rick Wakeman. Adam é companheiro de Clufetos na banda de Ozzy. A música que abriu os trabalhos foi justamente a soturna faixa que leva o nome da banda e do primeiro disco, lançado em 1970. Ao contrário da outra vez não há nenhum disco a ser divulgado e não houve novidades no repertório. Nem mesmo as do (muito bom) “13”, de 2013. Daí, o seleção, que se mantém a mesma em todos os shows da The End, foi um passeio pelos clássicos.

O repertório se concentra mais especificamente nos álbuns Paranoid (o que teve mais músicas executadas, cinco no total), o debut que leva o nome da banda e “Master of Reality”, que tiveram três respectivamente. Apareceram com uma música cada “Vol. 4” (‘Snow Blind’) e “Technical Ecstasy” (‘Dirty Women’). Os discos “Sabbath Bloody Sabbath”, “Sabotage” e o último com Ozzy, “Never Say Die”, ficaram de fora do setlist.

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É até redundante descrever o deleite de se estar diante de um dos maiores guitarristas da história do rock, o mago Iommi. O peso do baixo de Butler costurando uma espessa camada sonora também merece reverência. A introdução de ‘N.I.B.’ é seu ápice. Ozzy Osbourne, bem, é Ozzy Osbourne. Uma lenda por si só por motivos louváveis e outros nem tanto. Sobreviveu aos excessos, conseguiu construir uma sólida carreira solo depois de ter sido chutado do Sabbath, e ainda virou fenômeno midiático com um reality show na MTV na década passada. Sua figura mítica ameniza bastante a voz que claudica em alguns momentos e já exige uns tons abaixo dos instrumentos para que se alcance as notas em certas músicas. A postura de velhinho que ele adota em alguns momentos todos já sabem que é muito mais um maneirismo do que debilidade de fato.

Em ‘Rat Salad’ é a vez do Clufetos receber os holofotes. A introdução que dá a deixa para o vigoroso solo de bateria é acompanhada de cenas de shows dos anos 70 com a música, com Ward nas manuseando as baquetas. O dado curioso é que o baterista nasceu em 1979, ano em que a formação clássica com Ozzy se desfazia. O número é também uma providencial pausa para descanso do trio. Afinal, são senhores que poderiam pagar meia entrada no ingresso do show.

E como era de se esperar, os pontos altos foram com os cavalos de batalha ‘War Pigs’, ‘Iron Man’ (com o tradicional corinho de ô ô-ô ô ô), ‘Children of the Grave’ e o bis, para finalizar, ‘Paranoid’. Essas músicas costumam marcar presença nos shows solo de Ozzy, mas executada pelos seus antigos companheiros, ganham mais significado. É chegada, então, a hora dos fãs dizerem adeus ao Black Sabbath, torcendo para que essa história de fim seja apenas um golpe de marketing e haja um retorno. O show encerra com chave de ouro o a temporada de grandes shows internacionais de 2016.

Setlist

  • Black Sabbath
  • Fairies Wear Boots
  • After Forever
  • Into the Void
  • Snow Blind
  • War Pigs
  • Behind the Wall of Sleep
  • N.I.B.
  • Rat Salad
  • Iron Man
  • Dirty Women
  • Children of the Grave
  • Paranoid (BIS)

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Publicado por Cesar Monteiro

Cesar Monteiro

Um viciado em cultura pop que adora compartilhar seu vício com o maior número de pessoas possível

Deflora, de Gabriel Felipe Jacomel, ludicida a língua na criação poética.

Ferreira Gullar e a Arte