Há uma mística particular nas músicas que levam tempo para maturar. Elas guardam camadas de histórias, geografias e afetos que a pressa do mercado fonográfico atual raramente se permite cultivar. É exatamente com essa bagagem que a banda Kalamaha apresenta ao mundo “Alice”, o primeiro single instrumental de seu próximo álbum autoral, Quetzal.
Gravada em uma odisseia de três anos, entre 2017 e 2020, com sessões divididas entre os tradicionais bairros de Vila Isabel e Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a faixa funciona como uma síntese da originalidade musical do grupo, mesclando fronteiras musicais em caldeirão sonoro.
Com pegada rock blues, a faixa instrumental se deixa contagiar pela síncope e pelo calor dos ritmos brasileiros, com uma precisa pitada de baião.
As linhas expressivas de gaita de Barbara Field injetam uma textura quase urbana ao arranjo, enquanto a fantástica bateria de Fernando Dias costuram com maestria à espinha dorsal de Alice.
“Alice” também carrega consigo um duplo sentido poético que instiga o ouvinte: uma homenagem afetuosa à gata Alice, ou um aceno à sua antiga banda de rock de mesmo nome, que fincou bandeira e fez barulho na cena independente dos subúrbios cariocas no início do século.
“Alice” já havia ganhado uma versão voz e violão em um registro ao vivo, gravado há quatro anos, vale conferir:
“Alice” será lançada ainda este mês nas plataformas digitais.








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