O anúncio de que Roberto Frejat e Barão Vermelho iriam se separar pegou o rock nacional de surpresa. Mais surpreendente foi a notícia de que o Barão continuaria com outro vocalista. O Barão sem Frejat ficamos conhecendo no mês passado e o resultado agradou à maioria (veja como foi aqui). E Frejat sem o Barão? O ex-parceiro de Cazuza construiu uma sólida carreira solo. Mas sempre havia a sombra de seu projeto mais famoso pairando sobre ele. Agora não tem mais. Isso é o suficiente pra dar um outro sentido a seus shows a partir de agora.

Coincidente (ou propositalmente), seu retorno após a cisão foi bastante discreto, em um esquema intimista com voz e violão. A apresentação da noite de ontem (quinta-feira, dia 8 de junho) no Teatro Bradesco, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro era apenas o artista, seu violão e luz básica no palco. E bastante vigor. Sim, o formato acústico não tira o peso de boa parte das músicas do repertório que abrangeu faixas recentes, parcerias e, claro, composições da época do Barão tanto da fase Cazuza quanto, principalmente, do tempo em que Frejat passou à frente do conjunto.

Ao se dirigir à plateia pela primeira vez, declarou que cada música ali é uma história e caso se alongasse muito que as pessoas dissessem “chega!” A música que abriu o show ‘Eu Não Quero Brigar Mais Não’ parece se referir à recente ruptura com os companheiros. A segunda foi ‘O Que Mais Me Encanta’, do segundo disco solo, “Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo”. Sua parceria com Cazuza apareceu pela primeira vez na noite na rasgante ‘Todo Amor que Houver Nessa Vida’. Os standarts da fase solo como ‘Segredos’, ‘O Amor é Quente’, ‘Amor Pra Recomeçar’ não podiam mesmo ficar de fora. Já da fase Barão também eram obrigatórias ‘Por Você’ e ‘O Poeta Está Vivo’.

Contudo, os momentos ímpares estavam nas músicas que eram mais escolhas pessoais do que concessão ao público. Houve cover de Chico Buarque (‘Trocando em Miúdos’) e Raul Seixas (‘Carpinteiro do Universo’), e composições fruto de colaboração de artistas diversos como Leoni (‘A Chave da Porta da Frente’), Alvin L (‘Homem Não Chora’ e a mais recente ‘Mais do que Tudo’), Sérgio Serra (‘Tua Canção’) Leoni (’50 Receitas Para Te Esquecer’), Arnaldo Antunes e Marisa Monte (‘No Escuro e Vendo’). Também ganharam espaço faixas não tão conhecidas do Barão: ‘Sombras no Escuro’, do álbum “Supermercados da Vida” e ‘Por Aí’, o momento bluezão ‘Bilhetinho Azul’ e, já no bis, do álbum “Maior Abandonado”, ainda com Cazuza.

‘Pro Dia Nascer Feliz’, que tradicionalmente encerra os shows do Barão foi escolhida para fechar a apresentação. Esse formato se mostrou ideal para Frejat dar vazão à faceta crooner, bluesman, romântico, trovador, e era nítido que ele fica bastante confortável. Provavelmente esse será o caminho a ser seguido. Afinal, depois de 36 anos de carreira o artista tem todo o direito de fazer o que mais lhe apraz, já que não há nada mais a provar. Cada um de seu modo, Barão e Frejat fizeram as opções mais adequadas.