Continuando a Odisséia neste mundo de bits da antiguidade, em homenagem aos 15 anos do lançamento de um jogo que fez história pelos gráficos fantásticos, história envolvente, ação e humor ácido e até sádico em alguns momentos, com muito rock pesado. Um dos melhores games dos anos 90: Full Throttle.
A melhor maneira de entender o que eu quero dizer é ver a apresentação e se divertir com o estilão criado pela equipe desde o primeiro instante do jogo.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=7jx3Vz6cpXY&feature=related[/youtube]
O jogo, desenvolvido pela LucasArts por Tim Schafer (de Day of the Tentacle, Grim Fandango, Psychonauts e Brutal Legend) usava o famoso engine gráfico SCUMM, ou Script Creation Utility for Maniac Mansion (Utilitário de Criação de Scripts para Maniac Mansion), utilizado extensamente pela LucasArts até Curse of the Monkey Island. Era um engine simples, criado para facilitar a interação com o ambiente renderizado, dando espaço aos programadores criarem resultados inusitados com base nas ações selecionadas pelo jogador usando, por exemplo, um item X com objeto Y (a clássica cena do hamster no microondas em Maniac Mansion me vem a mente).
Hoje em dia, o SCUMMVM é totalmente open source e pode ser utilizado por qualquer um para abrir os jogos que não foram desenhados para os computadores e plataformas atuais, desde que se tenha o jogo original.
Mas voltando ao jogo, somos apresentados de cara a Ben, o líder da gangue de motoqueiros chamada Polecats. Em um “distinto” bar de beira de estrada, eles são alcançados por Malcom Corley, dono da indústria de motos Corley (uma brincadeira com Harley Davidson), que acaba falando de sua vida como motoqueiro. Seu segundo em comando é Adrian Ripburguer, um sujeito asqueroso que tenta convencer Ben e sua gangue a escoltar os dois até um evento. Ben nega o pedido e é nocauteado pelos capangas de Ripburguer.
Pensando que Ben já havia ido na frente, o restante de sua gangue acompanha a limusine dos dois empresários. A partir daí, Ben é obrigado a correr atrás de sua gangue, pressentindo que algo de ruim irá acontecer a eles e a Corley.
A partir daí, vemos se desenrolar uma história digna de Hollywood com ação, humor, um pouco de pancadaria e reviravoltas bem legais, sempre com os fantásticos diálogos que a LucasArts aprendeu a usar em seus jogos desde o começo. Ben é um brutamontes de bom coração, e vai fazer de tudo para conseguir o que quer. O humor gráfico existe às pampas, seja com o uso não apropriado de coelhinhos de brinquedo para desativar um campo minado (ao som de “Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner), seja ao usar um eletroimã para prender um cachorro pentelho longe de você.
O já famoso esquema LucasArts de pegar itens para usar em outros pontos foi aprimorado no jogo. Agora as opções variam desde olhar até falar, mexer e chutar, ampliando o espectro de possibilidades aos programadores. A movimentação ainda é bem precária com os limites claramente impostos, só que isto não atrapalha e sim ajuda o jogador. Afinal, fica claro que para passar daquele ponto em específico, deve-se usar algo que está ali ou que você já tem, mas nem sempre de uma forma muito usual. A imaginação às vezes tem que ir meio longe.
Falando em ir longe, a equipe usou na trilha sonora um pouco de música para ambientação, mas,a grande parte dessa trilha vem da banda “The Gone Jackals” e de seu disco Bone To Pick. A música da abertura se chama Legacy, e no link em cima dela você vai direto para o YouTube ouvi-la. O resultado é rock pesado em um jogo qua ganhou uma legião de fãs tanto entre os jogadores, quanto entre os desenvolvedores.
Em duas oportunidades a LucasArts tentou criar continuações para o jogo, mas esbarrou em problemas internos e, quando se pensava que uma continuação poderia sair em 2002, ela foi cancelada abruptamente, sendo explicado que a empresa não gostaria de desapontar tantos fãs da série. Some-se a isso o fato do jogo conter gráficos inferiores aos da época e a morte de Roy Conrad, dublador de Ben. Falando nisso, o multifacetado Mark Hamill foi quem fez a voz de Ripburguer.
Hoje, quase toda a equipe original deixou a LucasArts e a própria empresa mudou de foco em seus jogos. Para quem ainda não viu, Full Throttle tem uma série de vídeos no YouTube, e pode ser adquirido no Amazon. Se alguém souber de algum outro site que venda o jogo, pode postar nos comentários que eu coloco aqui.
Segundo consta, o Steam está em vias de lançar mais um pacote de jogos da LucasArts dos anos 90, mas ainda não consta nenhum prazo no site.
Semana que vem tem mais.
J.R. Dib











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