Maxresdefault (4)
AcervoCríticasFilmes

“Meu Passado Me Condena 2” se resume a diluição de gags

Assistir Meu Passado Me Condena 2 é a confirmação do velho paradigma do quanto o sucesso pode corromper. Ou melhor, se auto corromper.

O primeiro filme, de 2013, era uma comédia romântica que, amparada numa hilária química de seus ótimos protagonistas, em especial a organicidade humorística de Fabio Porchat, retratava o cotidiano de um casal de forma divertidamente romantizada, com boas tiradas e que realmente se justificava pelo bom conjunto conseguido pela diretora Julia Rezende.

Mas os mais de 3 milhões de espectadores, e o dinheiro que obviamente isso trouxe, acabou por banalizar a história de tal maneira que praticamente só expôs a falta de consistência que a despretensão (mercadológica?) evitou no filme anterior.

Fábio e Miá (Miá Mello) enfrentam a primeira crise conjugal. Ela pede o divórcio, mas acaba sendo convencida a embarcar com ele para Portugal para consolar o avô (Antônio Pedro), que acabou de ficar viúvo. Lá, Fábio reencontra sua namorada de infância, Ritinha (Mafalda Rodiles), que agora é noiva de Álvaro (Ricardo Pereira), seu rival desde menino.

maxresdefault (1)

O talento dos atores ainda é a melhor face da trama, entretanto, um grande problema que a junção da direção e do roteiro permite é o da inversão do domínio de gags. Se no primeiro filme as gags estavam a serviço da história, aqui, acontece o contrário, e isso é tão flagrante que o roteiro é, em geral, condescendente ao oportunismo da circunstância (estruturalmente é uma derivação da própria primeira narrativa), mesmo que, paradoxalmente, escapem uns bons diálogos.

Outro clichê já corriqueiro no nosso mercado, é a ambientação internacional, no caso, em Portugal, que nada acrescenta para além de reforçar as… gags de caricaturas culturais. É uma pena de verdade que o oportunismo tenha falado mais alto que a vontade de retratar de forma cômica o cotidiano de um casal da chamada “Geração Y”.

Dá quase para lamentar o sucesso de 2013. Talvez assim, teríamos na memória apenas o que o passado na verdade, a nada condenava.

Deixe um comentário

Sugeridos
Street Fighter trailer jogável
FilmesNotícias

‘Street Fighter’: Noah Centineo revela que coordenor de dublês garantiu a fidelidade aos golpes do game

Com visual e movimentos fiéis aos clássicos dos videogames, a nova adaptação...

O Deserto de Luiza Alan Minas
FestivaisFilmesNotíciasPremiações

Festival do Rio anuncia vencedores do Troféu Redentor

O Festival do Rio 2026 encerrou esta noite sua 28ª edição com...

Na Terra de Arto (Le Pays D’arto) crédito Autoral Filmes
AgendaFestivaisFilmes

Dois títulos da 50ª Mostra de São Paulo

Com première nacional no evento, dentro da mostra Perspectiva Internacional: “Na Terra...

Festival do Rio
AgendaFestivaisFilmes

Festival do Rio exibe repescagem dos melhores filmes da edição

Depois de dez dias de comemoração do cinema brasileiro com a exibição...

Leste do eden ambrosia critica
CríticasSériesTV

Leste do Éden constrói um linda história sob olhar cortante

Existe uma carga poética e quase inescapável na adaptação de Leste do...

The Holy Gosh Darn
CríticasGames

The Holy Gosh Darn: o roteiro salva o céu

Confesso que não me motivo muito com jogos sem muita mecânica de...

Voidwrought
CríticasGames

Voidwrought: faz o óbvio melhor que todo mundo

Às vezes basta fazer o óbvio melhor do que todo mundo, e...

Contos Paralelos
CríticasFilmes

Festival do Rio 2026 – “Contos Paralelos” e a Fronteira Difusa Entre Fato e Ficção

Asghar Farhadi constrói elaborado meta-drama parisiense inspirado em Kieślowski e Hitchcock, que...

The Royal Writ
CríticasGames

The Royal Writ: bonito, polido e cheio de regra

Deckbuilder roguelike virou quase um gênero de prateleira própria depois de Slay...

Feito Pipa
CríticasFilmes

Festival do Rio 2026 – Feito Pipa é comovente em uma história de puro lirismo

Histórias coming of age são sempre um êxito na cultura pop, ainda...