Captura de tela 2026 08 03
Agenda

A Última Cova, com Marco França, ganha nova temporada no Teatro Cia. da Revista

Com texto de Newton Moreno e direção de Ana Rosa Genari Tezza, espetáculo com música ao vivo narra jornada de um coveiro nordestino que veio a São Paulo em busca de sua mãe

A vontade de discutir questões relacionadas à morte como forma de nos alertar para a urgência da vida instigou o ator, músico e diretor musical Marco França a idealizar o solo A Última Cova, com texto inédito de Newton Moreno e direção de Ana Rosa Genari Tezza. O espetáculo, com produção da Morente e Forte, estreou com grande sucesso no Sesc Pompeia em julho, com direito a temporada totalmente esgotada.

E agora, a peça segue para mais uma temporada, desta vez no Teatro Cia. da Revista, de 8 a 31 de agosto, com sessões aos sábados e às segundas-feiras, às 20h, e aos domingos, às 18h. Em cena, além de França, ainda estão os músicos Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo.

A trama acompanha a história de Djalma, um coveiro nordestino que veio à capital paulistana à procura da mãe e munido de sua pá. Ele nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, busca nos olhos das mães enlutadas os olhos da sua mãe, e trabalha atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes e parentes deles, como se sua pá pudesse consertar um pouquinho das mazelas do mundo.

Djalma burla a estrutura para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos dos quais participou, até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova. 

Desde o começo da elaboração do texto até a estreia foram 2 anos de trabalho, a peça traz na sua equipe artistas que elaboram o teatro com tempo, escuta, e muita troca, isso porque todos têm intimidade com processos de grupo, que costumam ter no Tempo um grande aliado para o aprofundamento da pesquisa. Marco França integrou o grupo potiguar Os Clowns de Shakespeare por 15 anos, Ana Tezza é diretora artística da Trupe Ave Lola de Teatro e a Ave Lola Espaço de Criação, e Newton Moreno integrou a Cia Os Fofos Encenam.

A ideia de encomendar a peça, segundo França, surgiu depois que ele assistiu a um espetáculo em Santiago, no Chile, em 2024. “Foi de maneira distraída, mas com o radar sempre atento às poesias do mundo que, ao assistir um espetáculo que contava a vida de Leoncio Badía Navarro, um coveiro que viveu a ditadura franquista em Paterna (Espanha), me transportei aos canteiros de minha terra, pensando quantas histórias incríveis um cemitério coleciona: lugar de memórias. Ali eu soube por onde começar”, conta o idealizador do trabalho.

Sobre essa figura tão emblemática, Newton Moreno diz: “Esse cabra tinhoso retrata a resiliência e inconformidade do homem nordestino. Talvez não exista prova maior de resistência que não morrer; nisso o povo nordestino é mestre. Djalma está aí para provar. Mas nosso Djalma quer justiça e os que lutam por ela sempre são os primeiros alvos da ganância do mundo. Ele é um dos tantos que se faz a pergunta: “Justiça é mesmo coisa desse mundo?”.

Marco França ainda revela que se interessa pelo invisível e os invisibilizados nessa história. “É na figura do coveiro Djalma que dou voz aos que lutam diariamente contra o dragão da mentira, contra as ‘injustezas’ do mundo. ‘Porque a coisa mais perigosa pra esse mundo enganoso e feio é um cabra que restou no silêncio!’”, cita.

Para contar essa história, a diretora Ana Rosa Tezza revela ter escolhido uma linguagem necessariamente popular. “Uma linguagem que bebe da palhaçaria, da clássica oralidade dos repentes e da infinita capacidade comunicativa da canção brasileira. Neste trabalho, a busca constante foi explicitar o jogo teatral para a audiência, ao mesmo tempo em que lhes oferecemos uma viagem para dentro deste país que tinge, borda e tece, em sua fábula, as raízes de um Brasil ao mesmo tempo vivido e sonhado”, explica.

Já o cenógrafo e figurinista Kleber Montanheiro diz que fugiu do realismo para criar esses elementos já que a peça trata da lembrança. “A partir das ideias trazidas por Marco França, fui somando camadas, imagens e materialidades até chegarmos a uma forma que não ilustra as histórias, mas as faz emergir como memória viva. Não lidamos apenas com personagens — lidamos com vestígios, com ecos de vidas que já passaram, mas que insistem em permanecer”.

E o desenho de luz de Gabriele Souza “embaralha os limites entre palco e plateia, aproximando corpos, covas, sombras, presenças e ausências”, antecipa. “Confundir os tempos, os humores e as nuances desse território tão concreto, frio — mas que também guarda suas cores, temperaturas e encantamentos, de histórias que foram e seguem sendo. Sempre serão”, acrescenta.

Selma Morente e Célia Forte se associaram ao ator Marco França na realização deste projeto, segundo elas, é profundamente emocionante acompanhar o encontro de artistas como Newton Moreno, Marco França e Ana Rosa Tezza, tão comprometidos com a escuta, com o humano e com um teatro que insiste em permanecer vivo dentro das pessoas. “A Última Cova nasce desse território, onde memória, ausência e poesia caminham juntas. Ao olhar para a morte, o espetáculo nos devolve – com delicadeza – a urgência da vida. Para a Morente Forte,.” Completa Selma Morente.

Sobre NEWTON MORENO – dramaturgia e pesquisa

Dramaturgo e Roteirista. Diretor Teatral. 

Nascido em Recife, Newton Moreno é formado em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e possui mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP). Participou como ator/diretor em várias peças e, em 2001, encenou seu primeiro texto: “Deus sabia de tudo e…”. É autor de “Agreste” montado pela Cia Razões Inversas em São Paulo. Por este texto ganhou o Prêmio Shell e o Prêmio APCA de melhor autor em 2004. Escreveu “As Centenárias”, dirigido por Aderbal Freire Filho, que recebeu prêmio Contigo! e Shell de Teatro no Rio de Janeiro em 2008. É autor também de “Maria do Caritó’, “O Livro”, “Jacinta”, “As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão”, e mais, recentemente, “O Ninho, um Recado da Raiz”, “Sueno” e “ORioLear”. Trabalhou como roteirista para a Globo e a Globofilmes, os roteiros de ‘As Centenárias’ (2027), ‘Amorteamo’ (2013/2014), e foi colaborador de ‘A Grande Família’ em 2012. Escreveu também os roteiros dos filmes ‘Maria do Caritó’ (2019) e ‘Agreste’ (2023), vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no CinePE 2023.

Sobre Marco França – idealizador e intérprete

Potiguar (Natal/RN) residente em São Paulo desde 2016, ator, músico, multi-instrumentista, produtor musical, compositor e arranjador, atuou como diretor, ator e diretor musical do grupo de teatro Clowns de Shakespeare (Natal / RN 2000 – 20015) onde desenvolveu pesquisa musical com base na preparação do ator e na criação cênica a partir de jogos teatrais. Ao longo de seus 35 anos de carreira como artista tem no seu currículo mais de 150 espetáculos entre shows e peças de teatro sendo na atualidade um nome relevante no cenário musical e teatral brasileiro. Participou dos mais importantes Festivais Internacionais de Teatro do país, como: FIT (BH), Cena Contemporânea (Brasília), FILO (Londrina/PR), Festival Internacional de São José do Rio Preto, Festival de Teatro de Curitiba, além de diversas circulações com espetáculos e oficinas pelo Brasil e exterior (Chile, Peru, Equador, Uruguai, Portugal e Espanha).

Indicado 6 vezes ao Prêmio Shell de Teatro SP sendo vencedor em 2016 e 2019 pelas músicas de “A Tempestade” e “Estado de Sítio” respectivamente (direções de Gabriel Villela). Ganhou em 2016 a Melhor Trilha Musical Adaptada do Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem (FEMSA/Coca-Cola) com o espetáculo “Peer Gynt” (Gabriel Villela) e recebeu 8 indicações ao Prêmio Bibi Ferreira de Teatro (SP) ganhando em 2022 na categoria de Melhor Arranjo Original para Musical brasileiro com o espetáculo Tatuagem e em 2025 pela música original de João (ambos com direção de Kleber Montanheiro), além de receber vários prêmios como ator e diretor musical em trabalhos anteriores. Trabalhou com importantes profissionais, dentre eles Eduardo Moreira (Grupo Galpão) Ernani Maletta, Babaya, Francesca Della Monica, Helder Vasconcelos, Zeca Baleiro, Kika Freire, Débora Dubois, Márcio Aurélio, Gabriel Villela, Marco Antonio Rodrigues, Dagoberto Feliz, Chico César, Sérgio Módena, Newton Moreno, José Possi Neto, Kleber Montanheiro, Marilia Toledo entre outros.

Como ator no audiovisual participou das novelas das 18h Mar do Sertão (2022) e Rancho Fundo (2024), ambas dirigidas por Alan Fiterman na Rede Globo e a épica Guerreiros do Sol (Globoplay) além do longa Homem com H sobre a vida do cantor Ney Matogrosso com direção de Esmir Filho.

Sobre Ana Rosa Genari Tezza – direção

Diretora teatral, mestre em Artes Cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina, com pós-graduação em Interpretação pela Pontifícia Universidade Católica do Chile. Em Santiago, integrou a companhia Sombrero Verde, dirigida por Andrés Pérez Araya, cuja obra e pensamento se tornaram referências centrais em sua trajetória como diretora.

Em 2010, fundou a Trupe Ave Lola de Teatro e a Ave Lola Espaço de Criação, onde atua como diretora artística, responsável pela concepção e direção dos espetáculos, bem como pela coordenação dos projetos de criação e pesquisa de linguagem da companhia.

À frente da Trupe Ave Lola, desenvolve um trabalho contínuo de investigação cênica, tendo desenvolvido dramaturgias autorais, bem como releituras de grandes textos da tradição ocidental.

Suas últimas montagens foram Sonho de uma Noite de Verão (2024) e Sozinho com Romeu e Julieta (2025), este último uma adaptação para um só ator. Suas obras carregam uma linguagem própria, marcada pelo rigor estético, pela fisicalidade e pela construção imagética.

Sob sua direção, os espetáculos da Trupe Ave Lola têm circulado por diversas cidades do Brasil e do exterior, conquistando reconhecimento do público e da crítica especializada.

Ficha Técnica

Idealização, direção musical, visagismo e atuação: Marco França

Dramaturgia: Newton Moreno

Direção: Ana Rosa Genari Tezza

Núcleo de criação musical: Marco França, Arthur Jaime, Breno Mont Serrat

Músicos: Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo

Assistência de Direção: Ana Elisa Mattos

Cenários e Figurinos: Kleber Montanheiro

Desenho de Luz: Gabriele Souza

Criação e confecção de boneco e assessoria de manipulação: Fernando Gomes

Designer Gráfico: Vicka Suarez

Fotografia: Caio Oviedo

Captação audiovisual: gatú filmes

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Social Média: Isabella Pacetti

Assistência de Produção: Carol Ariza

Coordenação de Projetos: Egberto Simões

Produtores Associados: Selma Morente, Célia Forte e Marco França

Produção: Morente Forte Produções Teatrais e Galado Recordis

Realização Sesc SP

Sinopse

Munido de sua pá, a ‘potiguar’, Djalma é um coveiro nordestino que veio trabalhar em São Paulo para procurar sua mãe. Nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes. Djalma burla a estrutura para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos que participou. Até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova. Nesta noite, ele dividirá conosco sua história e sua narrativa embaralhando a busca pela mãe e os mistérios em torno desta última cova.

Serviço

A Última Cova, de Newton Moreno, com Marco França

Temporada: 8 a 31 de agosto de 2026

Aos sábados e às segundas, às 20h; e aos domingos, às 18h

(Não haverá sessão no dia 16 de agosto)

Teatro Cia. da Revista –  Alameda Nothmann, 1135 – Campos Elíseos, São Paulo 

Ingressos: R$90 (inteira) e R$45 (meia-entrada) 

Vendas online em https://www.eventim.com.br/artist/teatro-cia-da-revista/

Duração: 80 minutos

Classificação: 12 anos

Capacidade:  82 lugares

Gênero: Narrativa folhetinesca-melofantástica-cordelística

Acessibilidade: sala acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Deixe um comentário

Sugeridos
Meme expo agenda ambrosia
AgendaArtes Visuais

MEME: no Br@sil da memeficação

A vocação do brasileiro para o humor digital é celebrada em MEME:...

100 Dias que conta a história de Amyr Klink
AgendaFestivaisFilmes

Festival do Cinema Brasileiro traz filmes a R$ 12 em todo o país

O Festival do Cinema Brasileiro será realizado entre os dias 29 de...

Marvel
AgendaFestivaisFilmes

Marvel Day na CCXP26 terá dia inteiramente dedicado à Casa das Ideias

A organização da CCXP26 anunciou que o primeiro dia de portas abertas...

FOTO 2 Pequeno Cidadão crédito Pedro Gadia
AgendaInfantilTeatro

Pequeno Cidadão celebra o mês das crianças com BNegão

Pequeno Cidadão desembarca no Rio de Janeiro para uma celebração especial do...

Fábio Cuelli em Geppetto foto Marcelo Pedroso
AgendaTeatro

“Geppetto” terá apresentações gratuitas em sete cidades gaúchas

   Peça teatral gaúcha de maior sucesso em 2025, Geppetto vai iniciar...

Latitude Zero (2001) crédito Olhar Imaginário
AgendaFestivaisFilmes

Mostra de Cinema Toni Venturi em São Paulo

A trajetória de um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro recente...

Homenagem a Tonico e Tinoco abre a Mostra Violas Brasileiras1.docx
AgendaMúsicaNotíciasShows

Homenagem a Tonico e Tinoco abre a Mostra Violas Brasileiras

A dupla que levou a música caipira do interior para todo o...

Das duas, uma Foto de Ricardo Avellar (4)
AgendaTeatro

“Das Duas, Uma” no Galpão dos Bonecos

O que permanece vivo quando alguém que amamos já não está mais...

IMG
AgendaInfantilTeatro

O Mundo Colorido dos Alimentos em circulação gratuita pelo interior

“Já provou?” “Não, mas não gosto.” Quem convive com crianças conhece de...

Filho da Margem crédito Leonardo Miranda (10)
AgendaTeatro

“Filho da Margem” no Sesc Copacabana

Com idealização e direção do coreógrafo e performer Marcio Cunha, o espetáculo...

Captura de Tela 2026 10 21 às 14.31.08
Agenda

Fúria Central ocupa o mezanino do IAB-SP

É da energia pela inquietação criativa que nasce a Fúria Central, uma...

Lívia Feltre como Duende Dudú, Adriana Lessa como a Rainha da Neve e Carol Romano como Duende Dedé (Crédito João Pedro Hachiya)
AgendaTeatro

Rio Branco recebe “Sonho Encantado de Cordel, O Musical”

Com músicas originais de Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, peça...

Captura de tela 2026 10 13
AgendaTeatro

Luiza Mariani estreia solo autoral O que meu peito carrega sobre mim

O texto da peça nasce de uma experiência pessoal de sua intérprete-autora...

Núcleo Pèrègun, formado por Carol Rocha Ewaci e Wellington Ngunga, participa do Poéticas Pretas 2026. Foto acervo do grupo
AgendaTeatro

Poéticas Pretas 2026 – Territórios em movimento

Com inspiração no pensamento da historiadora Beatriz Nascimento, o evento do NEABI/Célia...

Cinema CENTRAL Anos 1930 Acervo Fototeca Sioma Breitamn MJJF
AgendaFilmes

Os 130 anos da primeira sessão de cinema em Porto Alegre

  Em 5 de novembro de 1896, a primeira sessão de cinema de...

Captura de Tela 2026 10 15 às 15.08.45
Agenda

Atravessando Lugares no Rio de Janeiro

Com criação de Dyego Yamaguishi e Marília Mattos, espetáculo circense explora técnicas...

1 FESTA NO ARRAIAL O MUSICAL
AgendaTeatro

“Festa no Arraial, O Musical” desembarca em Brasília

Livremente inspirado em “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare,...

João Attuy como o Imperador Sábio, Adriana Lessa como a Rainha da Neve, Carlo Porto como o Rei Vaidoso e Guilherme Carvalho como Andersen (Crédito João Pedro Hachiya)
AgendaTeatro

Belém recebe o espetáculo “Sonho Encantado de Cordel, O Musical”

Com músicas originais de Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, peça...

Diego Esteve e Yasmin Martins Mendes
AgendaFilmes

‘Festival Intl de Cinema de Carazinho’ chega a 2ª edição

Após o sucesso da primeira edição em 2025, o ‘Festival Intl de...