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E o Oscar não foi para…

Em 2007, quando Martin Scorsese ganhou seu primeiro (e até agora único) Oscar de Melhor Diretor, ele fez piada perguntando se os apresentadores da categoria tinham certeza de que era mesmo o nome dele que estava escrito no envelope. E era para duvidar mesmo: era sua sexta indicação, e nas vezes anteriores ele amargou a derrota… inclusive para Robert Redford, novato na direção. A verdade é que para os cinéfilos o Oscar é como a Copa do Mundo do cinema: cheio de emoções e muitas, muitas polêmicas.

Quem não ficou boquiaberto quando Marisa Tomei ganhou como Atriz Coadjuvante e depois sumiu no limbo hollywoodiano? Falando nisso, que poderia prever que Adrien Brody desbancaria todos os favoritos em 2002? Ou quando “Crash – No Limite” foi considerado o melhor filme de 2005? Lembra quando “Guerra ao Terror” desbancou o favorito “Avatar”? E as muitas surpresas da noite que consagrou “Shakespeare Apaixonado”, quando até nossa diva Fernanda Montenegro foi derrotada?

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Sabe o que Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Federico Fellini, Akira Kurosawa e Ingmar Bergman têm em comum? Além de serem responsáveis por obras-primas que estão entre os melhores filmes de todos os tempos, eles não ganharam nenhum Oscar por suas habilidades atrás das câmeras. Sim, Bergman, Fellini e Kurosawa tiveram obras escolhidas como Melhor Filme Estrangeiro, mas a influência destes mestres é tamanha que espanta o fato de eles não terem nenhuma estatueta para chamar de sua.

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É claro que o tempo, muitas vezes, é o melhor juiz. O Oscar é um prêmio quase imediato, que reconhece atuações e produções do ano anterior, e é, sim, cheio de questões políticas. Por isso só com o passar das décadas algo realmente inovador é revisitado e reavaliado, e assim os absurdos ficam patentes: como assim “Como era verde o meu vale” foi escolhido melhor filme em vez de “Cidadão Kane”? Então quer dizer que Peter O’Toole e Richard Burton nunca faturaram a estatueta, embora cada um tenha sido indicado oito vezes (ou será que já era honra suficiente para Burton ter sido casado com Elizabeth Taylor… duas vezes)? Por que a Academia quase nunca premia atuações em comédias e filmes de terror?

 

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A polêmica da vez começou mesmo na indicação, quando meio mundo notou que no Oscar de 2015 falta diversidade. Mais uma vez as categorias de direção, montagem, fotografia e roteiro foram dominadas por homens. TODOS os intérpretes indicados são brancos, apesar dos elogios ao filme “Selma”, sobre a luta de Martin Luther King. Isso reflete a própria constituição da Academia, majoritariamente branca, masculina e maior de 50 anos. Seria a hora de repensar a realidade e escolher novos eleitores para o Oscar?

A “Academia de Artes e Ciências Cinematográficas” já errou muito no passado. Talvez se engane este ano mais uma vez. E com certeza vai continuar pagando mico no futuro. Mas ela está aí, como a instituição mais respeitada da sétima arte há mais de 85 anos. Nós, cinéfilos, continuaremos a ver a premiação, a torcer por nossos prediletos, a reclamar quando o Oscar não for para quem desejávamos. Discutimos, debatemos, reclamamos, brigamos, choramos. Mas já não conseguimos mais viver sem o Oscar.

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Publicado por Letícia Magalhães

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