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Palavra Viva no Subúrbio: Feira Tertúlia ocupa as ruas do Méier com literatura gratuita, slams e arte independente

Sediado na icônica Livraria Belle Époque, festival literário multilinguagem promove quatro dias de oficinas, debates e feira de publicações autorais com foco na identidade periférica.

O subúrbio carioca pulsa cultura e, até o dia 31 de maio, o bairro do Méier se transforma no epicentro da literatura autônoma do Rio de Janeiro. Está acontecendo a Feira Tertúlia, um encontro literário multilinguagem que está ocupando praças, ruas e centros culturais da Zona Norte com uma programação inteiramente gratuita, voltada para a troca artística, o incentivo à leitura e a convivência comunitária.

Com base principal na Livraria Belle Époque (Rua Soares, 50), o evento faz jus ao próprio nome. De origem espanhola, a palavra “tertúlia” remete a rodas de conversa, escuta e partilha de ideias. No coração do Méier, o termo ganhou sotaque local: poesia no microfone, vizinhos ocupando o espaço público e livros servidos na mesa.

Grandes nomes e a força da identidade suburbana

A curadoria do evento reuniu um time de peso para debater a potência da cultura periférica e as conexões entre a palavra escrita e falada. Entre os nomes confirmados estão:

  • O romancista Jessé Andarilho;
  • A atriz e dramaturga Zahí Tentehar;
  • A poeta Luiza Leite;
  • Os celebrados autores de literatura infantil Otávio Junior e Luana Rodrigues.

As mesas de conversa jogam luz sobre temas cruciais, como o fomento à leitura nas periferias, a relação artística entre imagem e palavra, a literatura independente e a afirmação da identidade suburbana.

Destaques de uma programação plural

A proposta da Feira Tertúlia vai muito além das tradicionais sessões de autógrafos, apostando na interatividade e na inclusão através de diferentes frentes:

  • Inclusão na Prática: O ator, poeta e arte-educador surdo Bruno Ramos (doutorando pela UFRJ e professor da UFF) comanda uma contação de histórias totalmente voltada para o público surdo, convidando ouvintes a experimentarem novas formas de narrativa para além da oralidade.
  • Arte Transformativa: A artista Gabriela Irigoyen apresenta a performance “Me conta uma história?”, na qual ouve relatos do público e os transforma, em tempo real, em mini livrinhos artesanais dados de presente aos narradores.
  • Fotografia e Música: O editor paulista Vitor Casemiro comandou uma sessão de “VJ de Fotolivro”, misturando projeções visuais e música para debater a fusão entre imagem e texto.
  • Espaço Autoral: No sábado, uma feira de publicações independentes reúne cerca de 40 expositores selecionados, trazendo zines, gravuras, poesias gráficas e livros artesanais diretamente para os leitores das 11h às 20h.

Oficinas Livres: Escrevendo o Território

O festival promove laboratórios práticos de criação. A mineira Julia Panadés comanda a oficina de livros de artista “Conheço essa palavra pessoalmente”; Caio Zero propõe exercícios de memória gráfica em “Zine: Narrativas do cotidiano”; e o diretor carioca Marcus Galiña conduz a Oficina de Escrita e Memória, convidando moradores do Méier a transformarem suas vivências afetivas no subúrbio em literatura viva.

Resistência cultural e ocupação pública

A escolha da Livraria Belle Époque como quartel-general não foi por acaso. O espaço já é um conhecido reduto de resistência cultural na região. “O festival Tertúlia vem abrilhantar nosso território, atraindo famílias e fortalecendo a noção de pertencimento, tão importante para a ocupação do espaço público”, celebra Ivan Errante Costa, fundador da livraria.

A idealização do projeto é da produtora cultural e artista visual Raquel Gandra (Mestre em Belas Artes pela UFRJ). Raquel buscou unir suas vivências interdisciplinares — que passam pelo cinema em Paris e pela fotografia em Portugal — para expandir o conceito clássico de uma feira de livros. “Queremos promover o encontro entre criadores, editores, pesquisadores e público, fortalecendo a circulação de publicações artesanais e autônomas”, pontua Raquel.

O encerramento da feira promete lavar a alma dos cariocas em ritmo de festa popular: o grupo feminino Coco do Trovador (cria do Parque Recanto do Trovador, em Vila Isabel) comandará uma roda aberta de coco de roda e dança coletiva, celebrando a ancestralidade e a união da comunidade em torno da arte.

📍 Serviço:

  • Evento: Feira Tertúlia
  • Período: 28 a 31 de maio
  • Entrada: Gratuita (todas as atividades)
  • Locais: Livraria Belle Époque (Rua Soares, 50), Praça Lima Barreto e Biblioteca Carlos Alberto — Méier, Rio de Janeiro.

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