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Livro de contos “Afagos” lembram um dia de pormenores dialógicos com nossas relações sociais

Talvez pela duração, o conto pode ter uma noção do bateu – levou. Aquela luta que se prolonga até os últimos assaltos com um equânime empate de ganchos e acertos. Para que no final, algum nocaute – a dor vença por uma lona bem verticalizada. Aquele último parágrafo que contém quase todos os punhos das estórias. Mas há um outro molde de embate que não requer força, mas jeito, um sopro de desvio de ar, uma esbarrada num objeto que cairá por um átimo em um vão, num espaço vazio, que talvez esteja perto da arte da esgrima. Ou da esgrima do toque.

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É o que acontece com o livro de contos, “Afagos”, do artista plástico José Rufino, que sai agora pela editora Cosac Naify. Narrações breves que lembram um dia em seus pormenores dialógicos com as nossas relações sociais. Para cada conto o autor recorta um microcosmo do cotidiano, um desvio de olhar de algum personagem que se complica ou se desenreda de uma situação ora limite de tensão, ora por desenraizamento de uma tradição.

Desaplica-se em pensar em luta corporal, uma ação no livro é sempre tênue e leve como um fio de lã caindo no espaço branco, e também elã quando não assume afetos formadores de consenso. Se fosse dizer que ali houve um lutador, diria que ele pensou num átimo de segundo na poética do fracasso, na perda de qualquer gravidade, no perder o equilíbrio de si.

Não há no livro de José, uma jornada de enredo que se chegue ao fim, a um desfecho. Seu fim parece muito mais um suspiro de parábola, uma réstia – (a)moral.

Onde uma ação de um personagem se extingue por uma força puramente estética (desestabilizadora).

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