A Mulher Maravilha é uma personagem complexa, não só por seu background, mas por sua origem, pela mitologia que a rodeia na ficção, mas pelas origens a nível criativo. Sua criação nasce como um elemento disruptivo que apesar das semelhanças com os super-heróis da época tem um pano de fundo que vai muito além do mero entretenimento de massa. William Moulton Marston, criador da Amazona, apresenta uma série de variantes não apenas na ficção, mas no próprio título. Mas sem nunca perder o tipo de produto cultural e a quem se destina.
Na Mulher Maravilha. Feminismo como poder Elisa McCausland nos mostra como esta personagem tem um caráter excepcional que vai muito além do ícone que começa com valores associados ao feminismo, para se tornar uma personagem que perde esses valores políticos em seu período de rejeição, para seguir em frente tornou-se uma representante do feminismo celebridade para recentemente recuperar essa ideologia como uma parte constituinte de si mesma. A questão é como tornar isso compatível tanto para as massas quanto para as supostas elites culturais ou para o feminismo mais canônico por meio de uma personagem para quem um físico notavelmente atraente.
O discurso dos corpos tornou-se uma batalha pela representação das mulheres no campo dos quadrinhos. A Mulher Maravilha está nesse sentido no meio do debate, quase por definição as Amazonas são mulheres com um corpo retumbante que mantém aquele equilíbrio, entre aquele físico e a validade do discurso feminista e a validação da personagem. Isso inclui uma certa tradição de BDSM ligada ao personagem, as transformações do naipe e colocar a personalidade de Diana Prince acima de qualquer atributo físico.
Esses são alguns dos elementos de fundo do volume escrito por McCausland, um trabalho que contorna completamente o relato anedótico em torno do personagem, focando nas sinergias criativas e autorais em torno disso, a ligação do personagem de Marston com o social fez que isso mudou muito mais do que os super-heróis tradicionais. A Mulher Maravilha foi muito mais afetada do que outras como Batman ou Superman. Mulher Maravilha. O feminismo como poder é uma viagem pela evolução da personagem, mas não centrada na cronologia, mas na ideia de uma Mulher Maravilha transgeracional. Sendo, sem dúvida, o melhor estudo em castelhano publicado na Mulher Maravilha.








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