Junji Ito é celebrado como um ícone do terror. Seu trabalho em mangá, com seus contos surreais e uma impressionante arte, ganhou já algumas resenhas aqui no Ambrosia (Tomie, Uzumaki).
A Netflix traz Junji Ito: Histórias Macabras do Japão (Junji Ito Maniac: Japanese Tales of the Macabre) como uma tentativa de mostrar seus talentos sob uma nova luz. Infelizmente, a animação não consegue atingir o trabalho original.
A série não é a primeira adaptação da obra de Ito. Houve vários filmes live action, bem como uma coleção anterior de curtas lançados em 2018. Embora os méritos de cada adaptação possam ser discutidos detalhadamente, todos lutaram para reproduzir as mesmas experiências angustiantes encontradas nos vários mangás/narrativas gráficas de Ito. E Histórias Macabras do Japão não é exceção. Dos 20 contos apresentados, pouquíssimos são bons e menos ainda memoráveis.
Ainda assim, Junji Ito: Histórias Macabras do Japão possui muitos dos elementos certos. A animação apresenta um visual clássico, com forte trabalho de linha e uma paleta de cores suave que lembra as ilustrações originais em preto e branco de Ito. Efeitos sonoros que dão bons sustos são alinhados a uma trilha sonora sinistra. Isso é reforçado por uma dublagem forte que ajuda a vender o horror; o elenco variado é crível mesmo quando seus personagens tomam as decisões mais implausíveis. Quase todos os curtas oferecem um acontecimento bizarro que termina em uma morte violenta ou uma amostra selvagem de horror corporal. Dito isto, o objetivo é perturbar em vez de assustar.
Essencialmente, todo curta começa bem, com áudio e imagens fortes. O que falha é a edição estranha e a narrativa fraca. Algumas das histórias são totalmente chatas. Os conflitos não levam a lugar nenhum ou terminam de maneira anticlimática. Outros começam decentes, mas terminam abruptamente sem nenhuma sensação de encerramento. Isso pode ser devido ao meio que foi adaptado: uma tomada de uma cena perturbadora funciona melhor em um mangá, onde a imaginação do espectador pode preencher os espaços em branco. E é rápido, assim que termina um conto, já pula direto para outra, renunciando a qualquer tempo gasto pensando no que aconteceu. Não há tempo para choque e admiração. Basta passar para o próximo curta.
Alguns dos contos apresentados são extraídos de uma história maior e por isso, sofrem com a adaptação. O conto Foto de Tomie, por exemplo: a história lida com a natureza manipuladora de uma jovem colegial e como suas ações levam à violência. No entanto, isso não explica seu relacionamento angustiante com alunos do sexo masculino ou por que ela é retratada de uma certa maneira nas fotos – informações que estão presentes no mangá. Isso faz com que o conflito que se seguiu entre ela e o protagonista pareça vazio. É uma aleatoriedade e embora quem não conheça o trabalho de Junji Ito possa atribuir isso à maneira como esta série foi desenvolvida, ainda fica estranho.
Mas destacamos os contos: Balões no Ar, tão perturbador quanto hilário; Caminhão de Sorvete e Camadas de Terror têm uma ambientação distorcida como nas narrativas gráficas do autor. E O implicante prova ser bastante perturbador, apesar de não ter nada a ver com o paranormal.
Destacamos os contos: Balões no Ar, tão perturbador quanto hilário; Caminhão de Sorvete e Camadas de Terror têm uma ambientação distorcida como nas narrativas gráficas do autor. E O implicante prova ser bastante perturbador, apesar de não ter nada a ver com o paranormal.
Veredito

Junji Ito: Histórias Macabras do Japão apresenta um bom trabalho de dublagem, uma boa animação com horror corporal retorcido que atrairá a maioria dos fãs de Ito. Para quem nunca viu pode até gostar de alguns dos contos surreais e personagens excêntricos. Infelizmente, esta coleção de curtas animados possui uma seleção pobre de histórias, com uma edição ruim e alguns sustos sem brilho. Seria melhor ler os mangás de Junji Ito. Embora datados, eles devem oferecer mais emoção.









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