Cinemateca: Mary Poppins nunca perderá seu encantamento

Ambrosia Colunas Cinemateca: Mary Poppins nunca perderá seu encantamento

Há mais de 50 anos crianças do mundo todo sonham com uma babá que chega voando com um guarda-chuva, usa mágica para transformar as tarefas em diversão, entra no mundo mágico de desenhos de giz na calçada e ensina lições valiosas com seriedade e carinho na medida certa. Esta é Mary Poppins: praticamente perfeita de todas as maneiras.

A história parece simples: as endiabradas crianças da família Banks, Jane (Karen Dotrice) e Michael (Matthew Garber), espantam todas as novas babás com suas travessuras. O pai (David Tomlinson), um banqueiro, e a mãe (Glynis Johns), que luta pelo direito das mulheres de votar, precisam de alguém que tome conta das crianças, e colocam um anúncio no jornal. Quem aparece por um passe de mágica, entretanto, é a babá que preenche todos os requisitos do anúncio da babá perfeita escrito pelas crianças… e nunca publicado no jornal. E Mary Poppins não vai mudar apenas as vidas das crianças, mas principalmente de seus pais.

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Nos anos 60 Walt Disney fazia, claro, vários bons desenhos animados, mas concentrava suas forças em filmes com atores de carne e osso depois do prejuízo que “A Bela Adormecida” causou em 1959. Eram filmes leves, para a família inteira curtir em uma matinê regada a pipoca, refrigerante e doces. Era a melhor época possível para ele fazer sua obra-prima live-action, que já vinha sendo pensada por pelo menos 20 anos.

Foi no final dos anos 30 que Disney tomou contato, através da filha, com as histórias de uma babá muito diferente, escritas por P.L. Travers. A autora, imaginem só, recusou durante todo esse tempo as várias ofertas do grande homem do entretenimento hollywoodiano. Quando ela finalmente cedeu, Disney já tinha em mente a protagonista perfeita: Julie Andrews, inglesa que brilhava na Broadway. Julie acabara de perder o papel principal na adaptação para os cinemas de “Minha Bela Dama” pois, embora ela tivesse incorporado com perfeição o papel nos palcos, era ainda uma desconhecida para o público dos cinemas. Mas Judy riu por último, e ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Mary Poppins, sendo que o filme levou outras cinco estatuetas, recorde absoluto nos estúdios Disney.

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Fazendo dupla, par ou tendo um relacionamento enrolado e misterioso com Mary Poppins está Bert (Dick Van Dyke), o homem dos muitos empregos: de desenhista a limpador de chaminés. Carismático, alegre, sempre de bem com a vida, Bert conquista as crianças e deixa os adultos um pouco desconfiados. Embora Van Dyke tenha se considerado uma má escolha para o papel, ele deu um toque adorável a Bert e sofreu uma total metamorfose para viver outro personagem, enganando até mesmo os atores mirins. Consegue reconhecê-lo sob o disfarce?

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Como o título brasileiro já avisa, o filme “Walt nos bastidores de Mary Poppins”, de 2013, conta a difícil missão que foi fazer uma das películas mais adoradas de todos os tempos, com alguma licença poética, claro. Foi muito acertada a decisão de focar a trama apenas em P.L. Travers (interpretada por Emma Thompson) e Walt Disney (Tom Hanks, brilhantemente caracterizado). Sim, os bastidores de uma produção mundialmente amada podem ser tão interessantes quanto o que estava acontecendo em frente às câmeras!

É impossível falar de Mary Poppins sem entrar no terreno da nostalgia. Quem viu o filme na mais tenra infância ganhou um favorito para toda a vida, a ser sempre revisto com direito a cantar todas as músicas que se sabe de cor. Quem teve contato com a obra já mais crescidinho descobriu que, quando as condições ideais se juntam, nada pode parar ou diminuir a magia do cinema.

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