Assistir a um show do cantor, compositor e tecladista Flávio Venturini sempre gera grandes expectativas. Isso se deve ao imenso número de standards que embalaram gerações e que o artista mineiro costuma enfileirar no palco. Principalmente agora, pela comemoração de seus 50 anos de carreira e pelos seus 77 anos de idade, recém-completados no último dia 23 de julho.
Mas, finalmente, as expectativas e o mistério terminaram. O show começou quando o personagem principal subiu ao palco do Circo Voador, na Lapa, Rio de Janeiro, neste sábado, 22, por volta das 22h. Ele estava acompanhado por sua banda: Adriano Campagnani (baixo), Arthur Rezende (bateria), Alexandre Lopes (guitarras e violões) e Breno Mendonça (saxofone e flauta).
Com sua voz irretocável e seu falsete inconfundível, Venturini fez um passeio por seu repertório. O público do Circo Voador, em noite de sold out, cantou junto todos os seus grandes sucessos.
Vale relembrar que Venturini integrou o movimento do Clube da Esquina, em Minas Gerais, que revelou outros nomes da MPB como Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes. Ele também fez parte das bandas O Terço e 14 Bis, antes de consagrar sua carreira solo a partir dos anos 80. Da época d’O Terço, o destaque ficou por conta de “Criaturas da Noite” (Luiz Carlos Sá e Flávio Venturini).
Entre os grandes sucessos de sua carreira solo, Venturini brindou o público com pérolas como ‘Nascente’ (parceria com Murilo Antunes). A canção é considerada pelo artista como sua composição mais importante e ganhou o mundo quando Milton Nascimento a gravou no icônico álbum Clube da Esquina 2 (1978).
Outro destaque foi ‘Noites com Sol’ (1994), parceria com Ronaldo Bastos que batizou seu terceiro álbum solo. O paradoxo de seu título defende a ideia poética de que é possível encontrar luz e esperança mesmo nos momentos de maior escuridão e solidão da vida. O artista lembrou ainda os sucessos de seus amigos Beto Guedes e Lô Borges, cantando as pérolas ‘Amor de Índio’ (Beto e Ronaldo Bastos) e ‘Para Lennon e McCartney’ (Lô, Márcio Borges e Fernando Brant).
Para o bloco final do show, que se encerrou por volta da meia-noite, Venturini reservou os sucessos da época do 14 Bis. Entre eles, os hinos ‘Natural’ (Flávio Venturini e Tavinho Moura), ‘Nova Manhã’ (Venturini, Vermelho e Tavinho Moura) e ‘Linda Juventude’ (Venturini e Márcio Borges). E, claro, não podia faltar ‘Mais Uma Vez’, sua única música composta com o legendário Renato Russo (1960–1996).
A única nota desafinada da noite ficou por conta de uma vistosa ratazana. Ela andou circulando pela área externa mais afastada do palco, mas ainda dentro das dependências do Circo, causando espanto no público que presenciou a cena.
A turnê de 50 anos de carreira de Flávio Venturini começou em 2025, é baseada no álbum Minha História do mesmo ano e seguirá percorrendo o Brasil, embalando casais apaixonados (e outros nem tanto). Os próximos shows serão no Cine Theatro Central, em Juiz de Fora, no dia 5 de setembro; no Blue Note, em São Paulo, no dia 16 de setembro; e no Teatro Guararapes, em Recife, no dia 18.
No final das contas, o que fica do show é que somos todos “vidas pequenas na esquina”, como dizem os versos de ‘Linda Juventude’, neste pequeno ‘Planeta Sonho’ chamado Terra, acreditando que o sol voltará amanhã, mais uma vez. Mas é claro, avante!












