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“Febre de Enxofre” fala da noção de autoria em narrativa em espiral.

A arte seria? Uma membrana que isola os dois meios mais excludentes do mundo. O Dentro e o fora. Se eu busco a matéria para utilizá-la como suporte para chegar ao objeto da arte, como? esta materialidade pode servir da amparo para o invisível da arte que claro vem sempre através da linguagem. Nestas sondas e sondagens o premente homem quer ir ao longe demais; quer chegar às raias do inexprimível. Beckett escarafunchou a linguagem para sondar a existência humana, e foi através dela que ele tirou o absurdo da vida, e suas incongruências.

Mas há outros limítrofes jeitos de chegar à mediação da arte para com o homem. Dar aquilo que não tem, ou negociar algo que você pode prometer qual ao fogo de prometeu. Ou a pedra de Sísifo que sempre rola montanha a baixo.

O livro “Febre de Enxofre” do escritor Bruno Ribeiro, editado pela Penalux, capta esta fronteira entre mundos e visões sobre o olhar do homem para consigo mesmo. Talvez pelo seu estilo narrativo, de histórias dentro de histórias, como das bonecas russas. A relação do artista é sempre mediada por uma relação do sujeito com o mundo. O dentro com o fora. Aí me pego num conceito que tento colocar numa interpretação minha. O da Sujeira. Sujeita, Sujeito. A literatura sempre a acompanhou de perto em formas, estilos, desde a metamorfose de Kafka numa barata, talvez o pior signos de sujeira – sujeito. Até as deformações do corpo e deformidades da alma.

Bruno cria um biógrafo/poeta que recebe um pedido de um artista que lhe escreva sobre suas vivências da arte. O próprio biógrafo é um poeta, que não sabe qual fora se colocar perante seu self. Através de um inteligente jogo de espelhos o personagem irá à Argentina visitar a casa tomada, lugar onde mora o artista, conhecer pai e mãe do artista e, dali, escrever…

Há em certas teorias que não podemos passar pela arte sem a noção da sublimação. Um escudo para falarmos de nós de uma forma externa ao nosso núcleo interno. É neste jogo entre o falso e o real, entre a segurança da mão perto do fogo e o fato de se expor ao fogo e se queimar, que faz com que os personagens do livro entrem numa espiral de loucura porque todas as noções que separam o fora e o dentro corpo e real, vida e morte  são embaralhadas num puzzle muito bem construído pelo escritor.

Quem é o autor quando perdemos a noção do que barganhamos? A noção da autoria é relativa à noção da correção? Revisão uma palavra de tirar erros, Num jogo de paralelismo, onde as construções das imagens que formam à nos e o mundo se esboroam em fricções, como lidar? Com esta premente noção de classificação. De rótulos, onde ver a verdade? Onde arquetipificar o conceito nuclear de família?

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