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Mosaic (2018) falha fora de seu habitat natural

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Imagine que você foi ao cinema assistir a um filme em 3D, mas ao chegar lá descobriu que não havia óculos 3D disponíveis. Você viu o filme mesmo assim, conheceu a obra, entendeu o enredo, mas ficou com uma sensação de que a experiência foi incompleta. Esta é a mesma sensação que o público brasileiro tem ao ver Mosaic, minissérie da HBO dirigida por Steven Soderbergh e protagonizada por Sharon Stone.
O que causa esta sensação de incompletude? A minissérie foi feita para outra plataforma: um aplicativo, que infelizmente não foi disponibilizado para o público fora dos EUA.

A minissérie se desenvolve em torno do assassinato de Olivia Lake (Sharon Stone), autora de livros infantis e criadora da fundação de artes Mosaic. Ela é assassinada na noite de Ano Novo, mas seu corpo não é encontrado. São muitos os suspeitos, incluindo Joel Hurley (Garrett Hedlund), aspirante a desenhista que trabalhava na casa de Olivia, Eric Neill (Frederick Weller) e golpista que foi contratado para convencer Olivia a vender a casa, mas que acabou se apaixonando por ela.
A investigação fica por conta do oficial Nate Henry (Devin Ratray), amigo íntimo de Joel. No tribunal, interesses pessoais falam mais alto que a justiça e todos concordam em condenar Eric pelo crime. Quem não fica nada feliz com o resultado é a irmã de Eric, Petra (Jennifer Ferrin), que decide investigar o caso por conta própria, inclusive indagando o novo ocupante da casa de Olivia, o ex-policial Alan (Beau Bridges).
O ritmo da maioria dos seis episódios, cada um com uma hora de duração, é muito lento. Os melhores momentos são aqueles em que Sharon Stone está na tela, como a protagonista que está longe de ser uma heroína. Infelizmente, e como era de se imaginar, ela aparece pouco. Novo dinamismo é dado à série com a entrada de Petra na investigação – até então, a série tinha apenas homens brancos e tristes vivendo crises pouco interessantes.

O aplicativo, disponível para computador e smartphone nos EUA, permitia que o espectador construísse a narrativa a seu modo, escolhendo qual personagem seguir e que ponto de vista adotar. Por causa desta possibilidade, a iniciativa Mosaic foi tida como uma revolução no modo como contamos e consumimos histórias… até ser exibida no formato tradicional.
Como obra audiovisual, Mosaic tem boa atuação de sua protagonista sem muito destaque e uma ótima fotografia, capaz de evocar em quem assiste o frio e a solidão do local em que a história se desenvolve. A conclusão é um pouco frustrante, algo que o público de 2018 está acostumado a ver na vida real, mas que não necessariamente que ver quando imerso na ficção.

Descrito como genial e revolucionário por uns e exagerado e bagunçado por outros, Mosaic fica entre pioneiro tecnológico e truque que causa raiva no espectador – o que certamente faz Soderbergh sorrir ao se lembrar de que o próprio cinema foi considerado, em seus primórdios, um truque barato. Acompanhando Mosaic na HBO sem o app, temos a impressão de que vemos um musical no cinema mudo ou um programa de TV primitivo na tela do cinema: fomos enganados consumindo um entretenimento mais desenvolvido em um meio velho.

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