Os Encanadores da Casa Branca: a comédia de erros do Watergate

Quando a vida real é mais absurda que a ficção


White House Plumbers Official Teaser HBO 0 2 screenshot

O escândalo do Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon, é um dos mais memoráveis episódios da história dos Estados Unidos. Alguém já disse que a história acontece duas vezes: primeiro como tragédia, depois como comédia. O Watergate não se repetiu, mas, passados mais de cinquenta anos do ocorrido e com uma versão definitiva da história já tendo sido feita – trata-se do clássico “Todos os Homens do Presidente”, de 1976 -, chegou a hora de olhar para a parte engraçada de tudo que aconteceu.

Tudo começa quando documentos secretos do governo norte-americano são vazados. E. Howard Hunt (Woody Harrelson) e G. Gordon Liddy (Justin Theroux) são chamados para o caso, se autodenominando “os encanadores” porque estavam prestes a consertar um vazamento. Durante a campanha presidencial, membros dos encanadores invadem o complexo de Watergate, onde ficava a sede do Partido Democrata, e colocam escutas por todo o lugar. Não demora quase nada para que o serviço seja descoberto e os envolvidos, presos e julgados.

As famílias de Hunt e Liddy nos são apresentadas e vemos como o Watergate mudou a vida delas. O enfoque maior é na família de Hunt. Sua esposa Dorothy (Lena Headey) e quatro filhos são afetados pelo escândalo, e o destaque é dado, no quarto episódio, para o que aconteceu com Dorothy após o marido ser acusado.

Hunt e Liddy têm personalidades muito diferentes. Hunt é centrado, apesar de inescrupuloso, enquanto Liddy é completamente bizarro, sendo um grande admirador de Adolf Hitler e contando histórias malucas, a exemplo da história de como ele superou seu medo de ratos. As atitudes dos dois frente ao julgamento também são distintas: enquanto Hunt fica circunspecto e encara o tribunal com seriedade, Liddy quer se exibir e provocar o riso numa situação em que este não deveria aparecer.

Gordon Liddy, com toda a convicção do mundo, diz que eles invadiram o comitê democrata para “salvar o país do comunismo”. Para Howard Hunt, as pessoas para quem eles estavam trabalhando tinham uma causa justa, mas a alma podre. Falando com a filha Kevan (Kiernan Shipka), Hunt afirma que agiu pensando no interesse do país, mas se esqueceu dos interesses de sua própria família. O inferno – e a História – estão cheios de boas intenções, sejam elas mal-executadas ou simplesmente falsas boas intenções.

Por vezes incompetentes – na maioria das vezes incompetentes, isso sim -, os nossos “heróis” são retratados de forma cômica. Ora, a incompetência pode ser engraçada, desde que ela não nos prejudique – a série recém-cancelada Avenue 5 está aí para provar isso. Quem está por trás da direção de Os Encanadores da Casa Branca é David Mandel, que foi produtor executivo, roteirista e diretor de alguns episódios da série Veep, também sobre incompetência na política.

Com apenas cinco episódios, esta não é uma minissérie de comédia que arranca muitas gargalhadas. Valendo-se de uma história verídica e influente, a minissérie nos deixa surpresos, confusos por vezes, e em outras vezes perplexos. Mas, acima de tudo, aponta para uma verdade: há casos em que não há ficção que supere os absurdos da vida real.

Os Encanadores da Casa Branca

Os Encanadores da Casa Branca
6 10 0 1
Nota: 6/10 Bom
Nota: 6/10 Bom
6/10
Total Score iBom