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“The Liberator”: animação da Segunda Guerra Mundial é uma boa história, mas curta demais

“O medo é uma reação; a coragem, uma decisão”

Desde que saiu da Polônia, Grzegorz Jonkajtys tem trabalhado em alguns filmes aclamados como: Sin City (2005), Labirinto do Fauno (2006), Star Trek (2009), Rango (2011), Noé (2014) Star Wars: O Despertar da Força e Vingadores: Era de Ultron (2015) .

Como artista gráfico, animador e autor de efeitos visuais, o polonês fez seu nome e quando empreendeu à direção de curtas-metragens, começou a ser premiado e seguir para uma proposta de uma minissérie em Trioscope, uma técnica que combina animação CGI com sequências live-action foi um pulo.

A Netflix encarou The Liberator (2020) com Jonkajtys na direção para falar sobre a Segunda Guerra Mundial. Com roteiro de Jeb Stuart (Die Hard) é drama de guerra envolvente que homenageia uma das melhores companhias que lutou na linha de frente durante a guerra.

Esta unidade racialmente integrada lutou durante 500 dias de território ocupado pelos nazistas e ao longo do caminho viu os horrores da guerra em primeira mão.

Lançado no Domingo da Memória, a minissérie traz o tema conhecido e como tantas outras histórias do período por aí, e mais uma a caminho, dos mesmos criadores de Band of Brothers, tem muito trabalho a fazer para se destacar na multidão.

Abordagem e contexto histórico

The Liberator é uma minissérie que segue um esquema clássico já visto em outras obras de ficção relacionadas ao conflito mundial. Dividido em quatro episódios, cada qual abordando fatos importantes da companhia E do 3º batalhão do 157º Regimento da 45ª Divisão de Infantaria.

A unidade foi apelidada como Thunderbird, ou em bom português, Pássaro Trovejante, devido ao emblema da divisão. Como curiosidade, esta unidade usou como emblema uma suástica. Tanto a suástica quanto o Pássaro Trovejante foram homenagens às culturas nativas americanas presentes em Oklahoma. Com a ascensão do nazismo, decidiram mudar o emblema para o pássaro, que não teria as mesmas conotações.

Essa divisão e conforme explicado na série, era uma unidade formada por índios de várias nações, mexicanos e brancos. Considerando as tensões raciais nos Estados Unidos e o fato de japoneses e negros lutarem em unidades segregadas, essa divisão foi um exemplo de multiculturalismo em meio ao pior conflito da humanidade.

The Liberator, portanto, concentra-se na figura do capitão Felix Sparks (Bradley James), abordando a sua jornada e dos soldados sob seu comando, indo da campanha italiana para a libertação do campo de concentração de Dachau.

A animação como meio de contar uma história

Usando a técnica da Trioscope, uma tecnologia híbrida que junta efeitos especiais de última geração ao desempenho real dos atores, The Liberator torna possível contar esse drama de guerra com grande confiabilidade. A técnica da animação, a rotoscopia, permite a exibição de mídias, cenários e situações que evocam grande realismo e com um acabamento muito bonito.

Esta estética evoca uma história em quadrinhos em seu desenvolvimento, mas permite também dar aos atores uma outra perspectiva, permitindo que aprimorem suas habilidades de atuação. E o resultado é uma animação hiper-realista, um experimento que mesmo não explorem as possibilidades de sua história, a ação ainda é acelerada e seus momentos de sacrifício são inspiradores.

Construindo a série

The Liberator, baseado no livro de Alex Kershaw, possui roteiro adaptado por Jeb Stuart, que muitos conhecem como o roteirista de filmes de ação icônicos como Duro de Matar (Die Hard) e O Fugitivo (The Fugitive). A série está repleta de cenas de ação e combate, no entanto há momentos de reflexão dos personagens bem interessantes. Especialmente de seu protagonista, que por meio da correspondência que mantém com seu parceiro, narra suas experiências de guerra e descontrai.

Spark é um personagem próximo e comum. A série mostra isso com bastante razão, alterando a sequência temporal dos eventos no primeiro episódio. Se geralmente em dramas de guerra, primeiro vemos o treinamento e a preparação e depois mostramos o combate. Em The Liberator, optaram por começar no front  e, em seguida, usar flashbacks onde nos é mostrado como Felix Sparks estabelece o vínculo com seus homens.

Cada um dos quatro episódios concentra-se em um conflito primário enquanto Sparks, e quem quer que fique em sua unidade, empreende algumas das missões menos conhecidas durante a guerra. Defender a única estrada para Anzio, manter uma passagem inóspita numa montanha e subjugar uma cidade alemã são os caminhos para que cheguem a Dachau.

Outras considerações

Nos docudramas baseados em histórias reais em meio a uma grande guerra, tipo Brothers of Blood. Em The Liberator, temos apenas 4 episódios para definir a história. Embora a sua duração não seja excessiva, não permite desenvolver todos os personagens e talvez com mais alguns capítulos tivesse tido mais profundidade.

Além disso, embora a rotoscopia seja usada, há alguns problemas históricos. Do treinamento em 1940, os soldados são apresentados com uniformes de alguns anos depois, como os soldados  alemães usando em seus capacetes suásticas vermelhas nas laterais, algo que foi dispensado anos antes. Destaco essas falhas, pois com a técnica utilizada, as falhas poderiam ter sido facilmente corrigidas. No entanto, o conjunto é um drama de guerra que funciona, com cenas de guerra de qualidade.

Conclusões

Uma minissérie com um compromisso sólido com a animação realista e um trabalho histórico bem executado, apesar das pequenas falhas. Aproveita para contar uma história verdadeira sobre a integração racial em plena Segunda Guerra Mundial.

Um ótimo exercício de animação, uma narrativa rica em personagens, mas pela duração não consegue desenvolvê-los tão bem, em seus quatro episódios, The Liberator ainda oferece um filme de guerra mais do que decente que não foge da realidade.

Nota: Ótimo 3.5 de 5 estrelas

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3.5 / 5 Crítico
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Publicado por Cadorno Teles

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