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Transitando por gêneros diversos, Barry tem segunda temporada memorável

Depois de uma primeira temporada surpreendente, que rendeu um Emmy de Melhor Ator em Série de Comédia para um surpreso Bill Hader e um Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia para Henry Winkler, Barry voltou e fez o que parecia impossível: foi ainda melhor em sua segunda temporada.
Enquanto Barry (Hader) está às voltas com Fuches (Stephen Root) e o detetive Loach (John Pirruccello), que quer chantageá-lo, sua namorada Sally (Sarah Golberg) tem conflitos com seus três agentes, Lindsay, Michael e Michael. Ao mesmo tempo, ela encontra em uma atividade do curso de teatro uma oportunidade para catarse: ao escrever sobre um momento crítico de sua vida, ela revive e ressignifica o final de um relacionamento abusivo que viveu no passado.


Além do passado de Sally, ficamos sabendo mais sobre o passado de Barry – que, para os amigos do curso de atuação, fala apenas sobre os traumas de ter combatido numa guerra, e como ele matou pessoas inocentes e ainda foi elogiado e celebrado por isso no exército.
Após passar por um imenso trauma, Gene Cousineau (Winkler) tenta voltar à rotina. O trauma também o faz refletir sobre as coisas mais importantes da vida, e por isso descobrimos, com espanto, que Gene tem um filho e quer se reaproximar dele. Mas o mais interessante é a dinâmica de mentor/aluno entre Gene e Barry durante a temporada.

O ótimo NoHo Hank (Anthony Carrigan) volta ainda mais hilário. Após o acordo com os colombianos, o bondoso e atrapalhado mafioso checheno encontra na birmanesa Esther (Patricia Fa’asua) uma rival nos negócios e na atenção daquele que considera seu melhor amigo, Cristobal (Michael Irby). Ainda fã número um de Barry, ele pede ao ex-assassino que treine seus homens para combate – o que terá resultados surpreendentes.
Os episódios de Barry eram mais emocionantes que a série que a precedia na grade da HBO, a famosa Game of Thrones. De fato, nos 30 minutos de cada episódio, Barry reinventou a maneira de fazer TV, subverteu clichês, trouxe o melhor do cinema para a telinha – o ator, criador e por vezes diretor Bill Hader é um grande cinéfilo – e foi da comédia à tragédia ou ao suspense com facilidade invejável.

O quarto episódio, em particular, foi cheio de tensão, capaz de deixar até o espectador mais calmo com o coração na mão. O quinto episódio, dirigido por Bill Hader, apresentou grandes absurdos de maneira surpreendente, nunca deixando o público cair na descrença.
E, mesmo assim, Barry não deixou de ser engraçado, tendo seus momentos para gostosas e inesperadas gargalhadas. Sim, trata-se de uma série com fotografia escura sobre um assassino tentando mudar de vida – e falhando. E também se trata de um dos mais magistrais usos de humor negro da televisão. A terceira temporada de Barry já foi confirmada. E eu mal posso esperar para ver o que o futuro reserva aos nossos complexos personagens.

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