Depois de uma primeira temporada surpreendente, que rendeu um Emmy de Melhor Ator em Série de Comédia para um surpreso Bill Hader e um Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia para Henry Winkler, Barry voltou e fez o que parecia impossível: foi ainda melhor em sua segunda temporada.
Enquanto Barry (Hader) está às voltas com Fuches (Stephen Root) e o detetive Loach (John Pirruccello), que quer chantageá-lo, sua namorada Sally (Sarah Golberg) tem conflitos com seus três agentes, Lindsay, Michael e Michael. Ao mesmo tempo, ela encontra em uma atividade do curso de teatro uma oportunidade para catarse: ao escrever sobre um momento crítico de sua vida, ela revive e ressignifica o final de um relacionamento abusivo que viveu no passado.

Foto de Isabella Vosmikova, HBO

Além do passado de Sally, ficamos sabendo mais sobre o passado de Barry – que, para os amigos do curso de atuação, fala apenas sobre os traumas de ter combatido numa guerra, e como ele matou pessoas inocentes e ainda foi elogiado e celebrado por isso no exército.
Após passar por um imenso trauma, Gene Cousineau (Winkler) tenta voltar à rotina. O trauma também o faz refletir sobre as coisas mais importantes da vida, e por isso descobrimos, com espanto, que Gene tem um filho e quer se reaproximar dele. Mas o mais interessante é a dinâmica de mentor/aluno entre Gene e Barry durante a temporada.

O ótimo NoHo Hank (Anthony Carrigan) volta ainda mais hilário. Após o acordo com os colombianos, o bondoso e atrapalhado mafioso checheno encontra na birmanesa Esther (Patricia Fa’asua) uma rival nos negócios e na atenção daquele que considera seu melhor amigo, Cristobal (Michael Irby). Ainda fã número um de Barry, ele pede ao ex-assassino que treine seus homens para combate – o que terá resultados surpreendentes.
Os episódios de Barry eram mais emocionantes que a série que a precedia na grade da HBO, a famosa Game of Thrones. De fato, nos 30 minutos de cada episódio, Barry reinventou a maneira de fazer TV, subverteu clichês, trouxe o melhor do cinema para a telinha – o ator, criador e por vezes diretor Bill Hader é um grande cinéfilo – e foi da comédia à tragédia ou ao suspense com facilidade invejável.

O quarto episódio, em particular, foi cheio de tensão, capaz de deixar até o espectador mais calmo com o coração na mão. O quinto episódio, dirigido por Bill Hader, apresentou grandes absurdos de maneira surpreendente, nunca deixando o público cair na descrença.
E, mesmo assim, Barry não deixou de ser engraçado, tendo seus momentos para gostosas e inesperadas gargalhadas. Sim, trata-se de uma série com fotografia escura sobre um assassino tentando mudar de vida – e falhando. E também se trata de um dos mais magistrais usos de humor negro da televisão. A terceira temporada de Barry já foi confirmada. E eu mal posso esperar para ver o que o futuro reserva aos nossos complexos personagens.
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