A máquina industrial que move o cinema americano não costumar ter muito tato para trabalho de direção, digamos, mais artístico. Não é a toa que Almodóvar nunca aceitou nenhum dos inúmeros convites que recebeu para dirigir em terras ianques. 12 Horas é mais um exemplar dessa estatística, que visa muito mais a lógica do mercado do que qualquer outra coisa.

Primeiro filme “americano” dirigido pelo interessante diretor brasileiro Heitor Dhalia, a produção versa sobre uma vítima que se vinga de seu agressor. Depois de escapar de um assassino, Jill (Amanda Seyfried) agora vive em estado de paranoia. Seu psicológico nunca foi o mesmo e ela busca desesperadamente mecanismos de defesa, pois acredita que seu trauma ainda é possível de se repetir. Quando sua irmã desaparece, Jill tem certeza de que aquele mesmo maníaco é o responsável. O problema é que ninguém na polícia, que vem sendo constantemente “incomodados” por ela, acredita que de fato isso esteja acontecendo.

O problema do filme já começa no roteiro, que cria um universo de suspense sem sustentá-lo até o fim. São primárias as soluções que a trama cria para justificar a luta da protagonista para ser ouvida. São situações inverossímeis e até apelativas (em determinado momento um gato pula detrás de uma porta, num surradíssimo efeito de susto), e ainda fica difícil “comprar” a história quando o seu final é tão superficial que soa como se fosse escrito às pressas.

Creio que Dhalia, que já disse que o corte final do filme não fora dele, tenha tentado imprimir uma outra marca, já que, com auxílio de uma boa fotografia, o filme não carece de belos enquadramentos. E se olharmos com boa vontade veremos que o filme não é necessariamente ruim, só banal. Porém ao lembrarmos da astúcia (estética e discursiva) de exemplares como O Cheiro do Ralo e Nina, podemos supor que o diretor encarou o “desafio” mais como um exercício da  profissão do que  como uma experiência de troca artística.

[xrr rating=2.5/5]