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“A Hora Mais Escura” tortura o espectador, mas enaltece Bigelow como Diretora

Por onze longos anos todo o mundo só ouviu e viu falar sobre a guerra dos EUA a Al-Qaeda que dominava parte do Afeganistão. Grandes ditadores e líderes tribais foram mortos, ataques em diferentes locais do mundo e a mesma pergunta repercutiu em diferentes línguas: Por onde andaria Osama Bin Laden?

Desde o fatídico 11 de Setembro, os EUA não mediram esforços e passaram a atacar de frente o terrorismo. Novas medidas de segurança foram implementadas e todo e qualquer muçulmano passou a ser visto com maus olhos no país e fora dele.
Zero-Dark-Thirty-FrontE é isso o que Kathryn Bigelow nos apresenta nas longas quase 2 horas e 40 minutos de filme. A grande caçada ao quiçá maior terrorista de que a América já ouviu falar.

Em “A Hora Mais Escura” vemos como se desenvolveu essa caçada e em como a determinada agente da CIA, Maya (Jessica Chastain) teve um papel importante na história.
A princípio ela é contra os duros métodos de interrogação, mas, notando que a situação não muda de figura, passa a acreditar que só assim conseguirá de fato respostas concretas sobre a Al Qaeda e suas células terroristas adormecidas por todo o mundo e claro, o paradeiro de Bin Laden.
politics-of-zero-dark-thirty-75184Bem aos poucos, pedaços de informações vão surgindo aqui e ali fazendo com que Maya vá ficando mais e mais obcecada com sua missão. O problema é que uma mulher branca vira alvo fácil em um país muçulmano e inúmeros obstáculos vão se interpondo em seu caminho. Acontece que desistir não é uma opção nem para Maya, nem para a CIA.

O que Kathryn Bigelow consegue fazer mais uma vez é apresentar um ponto de vista americano para o mundo. Por mais que o mundo tenha assistido a queda das torres, somente eles sentiram de fato o ocorrido. Somente para eles a invasão ao Afeganistão fez sentido.

Bigelow não deixa de fora nenhum ocorrido importante da época o que foi uma falha, pois acaba tornando o filme massivo em muitos momentos fazendo com que o espectador se canse. Fatos são sempre bem vindos, mas em grande quantidade confundem e atrapalham o ritmo da trama. Toda a ação se encontra nos derradeiros 30 minutos finais, onde finalmente eles encontram Osama.

Ainda assim consegue instruir bem aqueles que pouco ou nada sabiam sobre a caçada. Quem assina o roteiro é Mark Boal, que trabalhou também em Guerra ao Terror, filme que concedeu a Bigelow seu primeiro Oscar.
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As cenas de tortura são bem produzidas e foram utilizados poucos cortes e movimentos de câmera a fim de garantir mais credibilidade. Pode vir a incomodar algumas pessoas, mas a intenção talvez fosse mesmo chocar o público. Não chega a tanto.

Com um elenco razoavelmente grande e com poucos atores conhecidos, Jessica Chastain consegue se destacar facilmente tendo todo tempo para mostrar o desenvolvimento da personagem tanto pessoal quanto profissional durante a missão. Usando quase ou nenhuma maquiagem ficou mais evidente as pequenas mudanças de expressão deixando tudo mais real.

Interessante é que o filme estava caminhando numa direção totalmente contrária, que mostraria o grande fracasso das buscas quando em Maio de 2011, o presidente Barack Obama anunciou que Osama Bin Laden finalmente havia sido encontrado e morto. Foi então que Bigelow parou tudo e mudou o rumo da história reescrevendo totalmente o roteiro.

Com 5 indicações ao Oscar, Bigelow está apostando suas cartas no famoso patriotismo americano. A nós resta esperar e ver o que acontece.

[xrr rating=2.5/5]

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