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"A Rebelião" faz contundente parábola do atual momento político

A ficção científica é o melhor reflexo do tempo em que vivemos. Quando parece que está se falando sobre guerras interplanetárias, viagens cósmicas e invasões alienígenas, na maioria das vezes é uma reflexão de nossos conflitos, mudanças e entendimentos.

Durante a Guerra Fria os ataques de marcianos refletiam na verdade o medo do inimigo vermelho e da possibilidade de o planeta ir pelos ares no caso de uma guerra nuclear. Hoje, o perigo é íntimo. Ele progride a partir das urnas. São os governantes escolhidos equivocadamente e suas medidas desastrosas. A Rebelião funciona como porta-voz do questionamento da ascensão de governos conservadores, uma tendência mundial.

"A Rebelião" faz contundente parábola do atual momento político | Críticas | Revista Ambrosia

Em um bairro de Chicago quase uma década depois de uma ocupação por uma força extra-terrestre, acompanhamos as vidas em ambos os lados do conflito – os colaboradores e dissidentes. Os aliens são chamados de “Os Legisladores”, porque todas as leis e regras de governança subsequentes vêm deles. Nos anos que se seguiram à rendição da Terra, os alienígenas recrutaram humanos para construir habitats mais adequados para eles, no subterrâneo, chamados de “Zonas Fechadas”, isolados do resto da cidade, com acesso apenas concedido a altos funcionários do governo.

Gabriel Drummond (Ashton Sanders), o filho mais novo da cena de abertura, mora no bairro empobrecido de Pilsen. Ele é confrontado pelo comandante da polícia de Chicago, William Mulligan (John Goodman), que foi sócio de seu pai antes da invasão. Mulligan está convencido de que o grupo de resistência chamado Phoenix não foi neutralizado, ao contrário do que se pensa, e trabalha para apurar o fato.

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Ruppert Wyatt, responsável pelo basilar “Planeta dos Macacos: A Origem”, procura repetir aqui a contundência do filme de 2011 colocando pimenta em um mote por si só espinhoso. O diretor, que também assina o roteiro junto com Erica Beeney, não fez questão de ser sutil. Por mais que se trate de uma alegoria, ele busca a crueza ao tratar dessa parábola da era Trump. A começar pela paleta de cor que acentua o clima claustrofóbico.

Operando como alicerce está um resoluto John Goodman, atuando como o obstinado mantenedor da ordem imposta. É ele (com imponência e lembrando de certa forma o oficial de cavalaria de Crepúsculo de Uma Raça, de John Ford) o encarregado de fazer a ação e o conflito se delinearem. Ele o faz com a mesma eficácia vista em Rua Cloverfield 10, mas em um tom bem distinto. Outra presença agregadora é a de Vera Farmiga, no papel da abnegada Jane.

A Rebelião escorrega em algumas armadilhas, mas consegue se sair bem em ao menos não desperdiçar um argumento pertinente. Mantém a coesão até o fim não cedendo à tentação da resolução fácil. Não agrada a todos. Mas se servir de consolo, vários cults da ficção científica começaram assim.

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Publicação Cesar Monteiro