em ,

TopTop

A Verdadeira (Fraqueza) de Ned Kelly

O cinema busca ao longo dos anos modernizar as verdadeiras histórias de alguns personagens reais, quando estes já foram retratados em filmes anteriores ou mesmo quando já existe um filme clássico sobre a pessoa em questão.

Desta vez o personagem escolhido foi o fora-da-lei mais conhecido da Austrália, Ned Kelly, um descendente de irlandeses que nas décadas finais do século XIX tinha cometidos delitos desde roubo de cavalos até assalto a bancos. Nessa época, as autoridades britânicas sempre culpavam os irlandeses pelos crimes cometidos nas suas colônias. A história de Ned Kelly já havia sido retratada anteriormente em películas com atores como Mick Jagger e Heath Ledger.

O diretor Justin Kurzel – do sofrível Assassin’s Creed, introduz elementos que não estão presentes na história original (criando uma ironia em relação ao título do filme), como, por exemplo, a gangue de Kelly usar vestidos femininos durante os assaltos.

Existem descrições históricas de que camponeses irlandeses se utilizavam desse artificio quando queriam se rebelar contra as injustiças das classes dominantes, pois acreditavam que inspirariam terror aos olhos de quem os vissem vestidos como mulheres. Kurtzel insere esse elemento histórico no filme, porém, apesar dos personagens explicarem a motivação por trás do uso dos vestidos, o diretor se utilizar desse travestismo como uma estética sexual para a gangue.

As ideias para os novos elementos inseridos na história de Ned Kelly foram tiradas do livro “A História do Bando de Kelly”, escrito por Peter Carey, que inspirou o filme. Essas inovações, porém, acabam se tornando sua fraqueza narrativa.

 

Kurzel tenta dar um ar punk para o filme, seja através de certas atitudes tomadas pelos personagens, seja através da trilha sonora em alguns momentos. Porém essa tentativa estética não permeia o filme todo, aparecendo apenas em momentos pontuais, e por isso não mantém uma coerência narrativa.

As escolhas feitas pelo diretor para compor a trama também não são das mais felizes, já que passagens mais interessantes da vida de Ned Kelly são deixadas de lado para focar no lado psicológico dos personagens. O maior problema parece ser a forma como o diretor decidiu retratar a família Kelly. Segundo os relatos históricos, Ned optou por se tornar um fora-da-lei porque sua família sofria injustiças cometidas pelos britânicos. Já o filme retrata uma família totalmente disfuncional, com atitudes sem lógica narrativa, deixando a motivação de Ned bastante difusa – após sair da prisão e passar alguns anos tendo uma vida tranquila e bem sucedida na cidade, ele retorna às terras de sua família, vê o rumo que sua mãe e irmãos tomaram, não concorda com suas atitudes e afirma que retornará para a cidade; porém na cena seguinte ele já está praticando pequenos delitos, que considera errados, junto aos irmãos.

George MacKey (de 1917) encarna bem seu Ned Kelly e percebemos que ele transmite toda a energia de que o personagem necessita, apresentando um grande trabalho. O ator é de longe a melhor coisa do filme. É uma pena que as decisões tomadas pelo diretor não são sejam condizentes com sua atuação. “A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly” tenta inovar, mas se perde ao não se ater à história real.

Nota: Bom (3 de 5)

A Verdadeira (Fraqueza) de Ned Kelly
3 / 5 Crítico
Avaliação
Publico (0 notas) {{ reviewsOverall }} / 5
Resenhas Deixei sua nota!
Ordernar por:

Deixe sua nota e participe!

User Avatar User Avatar
Verificado
{{{review.rating_comment | nl2br}}}

Show more
{{ pageNumber+1 }}
Deixei sua nota!

Participe com sua opinião!