After
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"After" perde por escolher o caminho mais burocrático

“Minha vida nunca mais foi a mesma depois disso”… ou algo parecido. É com essa frase em uma narração em off da protagonista que começa o drama romântico “After” (Idem, EUA/2019). O que fica subentendido é: “senta que lá vem”. A menos que você faça parte do (consideravelmente grande) séquito de fãs da série de livros best seller da autora Anna Todd, na qual o filme se baseia.

A premissa é lugar-comum. Tessa (Josephine Langford), uma estudante dedicada, filha obediente e namorada fiel, quando ela entra em seu primeiro semestre na faculdade. Armada com grandes ambições para seu futuro, seu mundo protegido se abre quando ela conhece o sombrio e misterioso Hardin Scott (Hero Fiennes Tiffin), um rebelde magnético que a faz questionar tudo o que ela sabia sobre si mesma e sobre o que ela queria da vida.

Já viu essa história antes, né? Pois ao assistir o desenrolar da trama fica a sensação de que aquilo é um “Crepúsculo” sem vampiros ou mesmo “Cinquenta Tons de Cinza” sem sexo. Ok, até rola, mas é tão pudico que evidencia a tremenda enganação que é o pôster. E para complicar ainda mais, o filme é deveras mal acabado. A edição é canhestra, a ponto de dificultar a compreensão de algumas partes. Apenas para quem é íntimo da matriz literária a coisa parece fazer algum sentido, um erro no que se trata de adaptação cinematográfica.

O longa frustra por plantar expectativa de uma reviravolta, ou um conflito com resolução surpreendente que justifique a frase do início, e isso nunca acontece. O elenco não ajuda muito. Mas nem se pode culpar os jovens
Josephine e Hero, pois com um material tão insosso em mãos (na adaptação de Susan McMartin, das séries “Mom” e “Two and a Half Men”) não dava para se extrair muito além do que se vê.

À diretora Jenny Gage, estreante em longas, resta o caminho burocrático – desde a fotografia passando até pela trilha sonora – embora uma mão mais precisa e alguma liberdade criativa (que até há, mas não surte muito impacto) poderiam abrilhantar um pouco a produção.

Certamente “After” irá ao encontro de seu público, não só entre quem consumiu a série literária, mas também os fãs do gênero romance proibido/complicado/adverso. Nesses casos, nem mesmo a negligência fílmica impede o êxito, pois os elementos estão todos ali e isso já se basta como chamariz. E provavelmente, assim como nos livros, sequências virão, a menos que fracasse seriamente. Entre as coisas interessantes no filme (sim, há uma e outra) está a escritora dando uma de Hitchcock.

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