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“Amor em Sampa” e a ingenuidade da família Riccelli

São Paulo é uma metrópole fascinante. E é sempre entusiasmante a ideia do gênero musical encontrar (dignamente) o cinema brasileiro. Esses dois fatores já seriam motivos suficientes para me assistir Amor em Sampa, novo filme da família Ricelli (roteiro de Bruna Lombardi e direção de Carlos Alberto Ricelli e do filho de ambos, Kim Riccelli). Mas como os últimos filmes do clã, o resultado não poderia ser mais irritantemente ingênuo. Na verdade, para além de ingenuidade, o filme reflete muito o viés quase messiânico de Bruna em seus roteiros. É muita mensagem de auto ajuda truncada para pouca história.

Cosmo (Carlos Alberto Riccelli) é um taxista que ama rodar por São Paulo. Um dia, ao encontrar Mauro (Rodrigo Lombardi) em um bar, recebe uma proposta inusitada: gravar depoimentos de passageiros em seu táxi, nos quais as pessoas falariam sobre o que gostam em São Paulo.

A ideia faz parte de uma campanha publicitária idealizada por Mauro, que pretende levantar a auto-estima do paulistano em relação à cidade. Paralelamente, a aspirante a atriz Carol (Bianca Müller) e sua amiga Mabel (Letícia Colin) chegam atrasadas a um teste para uma peça teatral. Lá conhecem Matheus (Kim), um diretor mulherengo que logo se interessa por ambas.

Há ainda a empresária Anis (Bruna), que trava um duelo de poder com o ambicioso Lucas (Eduardo Moscovis), e também o casal formado por Raduan (Tiago Abravanel) e Ravid (Marcello Airoldi), que pretende em breve oficializar a união.

O filme se propõe a ser uma homenagem a cidade mais populosa dos país, mas tanto o roteiro quanto a direção, se revelam claustrofóbicos no universo plasticamente rico e bem arrumadinho de São Paulo.

Os conflitos são alegorizados por cenários corporativos pomposos, helicópteros, restaurantes chiques e óperas. Há até uma ou outra cena numa espécie de subúrbio e num recorte “televisivo” da 25 de Março para tentar diversificar a fauna paulista, mas Amor em Sampa poderia se resumir a um punhado de diálogos piegas, com personagens rasos e empolados em frases de efeito (constrangedores) e números musicais mal filmados. Para ter uma ideia, Ricelli (pai) costura as histórias como um taxista com um visagismo de galã de meia de idade em comercial de whisky.

A premissa do filme, vale dizer, é até interessante: filmar São Paulo como um musical (o número de abertura funciona, apesar do medo de descambar para o ridículo). Mas o clã Riccelli tem boas intenções demais e juízo de valor de menos para fazer de uma homenagem, um bom cinema.

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