“Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” segue sendo um pastiche de J. K. Rowling

O subtexto por trás da franquia criada por J.K. Rowling, fica cada vez mais claro em Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore. Essa sacada segue sendo o que de melhor todos os filmes da “marca” ofereceu até agora, porque, e especialmente pelo apego da autora em atuar como roteirista, mais uma vez, em seu terceiro…


O subtexto por trás da franquia criada por J.K. Rowling, fica cada vez mais claro em Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore. Essa sacada segue sendo o que de melhor todos os filmes da “marca” ofereceu até agora, porque, e especialmente pelo apego da autora em atuar como roteirista, mais uma vez, em seu terceiro filme, o resultado é frustrante. A ascensão da popularidade do fascista Grindelwald (Mads Mikkelsen, ótima substituição a Johnny Depp) ameaça o equilíbrio mundial e a relação entre bruxos e trouxas. O contraponto e o peso dramático está todo na figura de Dumbledore (Jude Law) e em como essa relação foi se dilatando ao longo do tempo. Repararam que nem citei a figura de Newt (Eddie Redmayne)? O grande nome da franquia virou pastiche dos maneirismos literários de Rowling. Por mais que o apuro técnico do diretor David Yates salte aos olhos, é o roteiro da autora (com colaboração de Steve Cloves) que segue prolixo e pretensioso demais para a pouca história que oferece. Mesmo com quase duas e meia de duração, o roteiro não estabelece nem uma ligação com as histórias anteriores, muito menos uma conexão de para onde possa ir. A trama apenas estabelece o subtexto por trás da alegoria, desperdiçando todo o enorme restante com generalizações estéticas e dramatúrgicas do universo mágico de bruxaria que tornou Rowling conhecida. Vale ressaltar a pequena, mas importante participação da atriz brasileira Maria Fernanda Cândido.