Ambrosia Filmes Branca de Neve em roupagem épica entra na batalha pela bilheteria

Branca de Neve em roupagem épica entra na batalha pela bilheteria

Tem sido uma tendência no atual cinema hollywoodiano criar releituras de clássicos da literatura infantil adaptadas para o gosto dos adolescentes. Em 2010 tivemos “Alice”, de Tim Burton, em 2011 “A garota da capa vermelha”, versão de Chapeuzinho Vermelho conduzida por Catherine Hardwick, a diretora do primeiro filme da saga Crepúsculo e há ainda o vindouro “Jack – O Matador de Gigantes”, adaptação energética de João e o Pé de Feijão dirigida por Bryan Singer. Agora chegou a vez de Branca de Neve.

Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman, E.U.A/2012) é uma nova versão da história que todos nós conhecemos bem, só que com algumas alterações com o objetivo de tornar o conto de fadas oriundo da tradição oral alemã e compilado pelos Irmãos Grimm mais épico e aventureiro. Se o recente “Espelho, Espelho Meu” de Tarsem Singh era uma adaptação com tom cômico e remetia claramente ao clássico desenho da Disney, neste aqui o diretor estreante Rupert Sanders quis deixar a produção facilmente identificável com O Senhor dos Anéis e até mesmo com a série Game of Thrones, além de colocar o elemento romântico que logrou êxito em Crepúsculo. Ou seja, atirou para todos os lados!

Na trama, A órfã Branca de Neve (Kristern Stewart) é prisioneira desde a infância da rainha Ravenna (Charlize Theron , que poderia estar um pouco menos histérica) cujo objetivo era impedir que a jovem viesse a assumir o trono. Quando a heroína consegue fugir, ela se depara com o caçador do título (o Thor Chris Hemsworth) a principio contratado para capturá-la e se torna um importante aliado e mentor, além de interesse romântico, claro. Ela então se torna uma guerreira que lidera o movimento para destronar a rainha usurpadora.

O filme conta com uma produção caprichada em todos os departamentos, desde a fotografia de Greg Fraser, passando pelos efeitos especiais e a direção de arte. O grande problema é a falta de inovação, tanto visual quanto do script. Se mostrar a história conhecida por todos sob outro ponto de vista, alterando rumos e até algumas personalidades foi um acerto, o calcanhar de Aquiles é justamente a constante remissão a elementos já vistos.

Os anões, que agora não são mais um grupo de bonachões e sim guerreiros, têm um visual que muito lembra o Gimli, de O Senhor dos Anéis e mesmo os anões de O Hobbit. Inclusive foi usada a mesma técnica de miniaturizar atores de estatura regular, deixando Ian McShane, Bob Hoskins e Ray Winstone praticamente irreconhecíveis, o que pode ser considerado um ponto positivo. Outro exemplo de falta de originalidade é espelho mágico da rainha que se materializa exatamente da mesma forma que as criaturas de “O Segredo do Abismo” e o T-1000 de “O Exterminador do Futuro 2”, ambos de James Cameron, e olha que aqueles efeito sumiram das telas justamente porque já renderam a exaustão. O filme também erra feio ao apostar em situações e frases clichê como se de certa forma engrandecessem ou aumentassem a dramaticidade da trama.

Por fim, nem tudo dá errado. Algumas piadas funcionam e as cenas de ação irão agradar àqueles que querem apenas uma diversão passageira, sem muito compromisso com a massa encefálica. A campanha do filme seria outra se: 1. Tivesse sido dirigido por alguém mais experiente; 2. Não tivesse sido lançado em meio aos pesos pesados de verão (se sairia melhor se lançado lá pelo feriado de Ação de Graças); e 3. Durasse uns vinte minutos a menos dos que os seus 129 no total.

No fim, apesar dos esforços, Branca de Neve e O Caçador não gruda na retina e se diluirá facilmente em meio a tantos lançamentos esperados para esse ano.

[xrr rating=2.5/5]

 

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