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“Capitão América” é tão retrógrado quanto o discurso que defende

A perenidade das adaptações cinematográficas de Hqs só se firmará se isso se der pelas mãos de diretores que compreendam que essa migração precisa encontrar uma personalidade própria e um bom diálogo entre veículos tão diferentes. Chris Nolan, Tim Burton e Sam Raimi foram alguns que dignificaram assertivamente essa convergência. Outros ficaram na tentativa, como é o caso de Capitão América: O Primeiro Vingador, que tem uma burocrática direção de Joe Johnston, além de ser roteirizado pelos mesmos Christopher Markus e Stephen McFeely da asséptica trilogia As Crônicas de Nárnia.

Nem é preciso salientar o quão complicado é adaptar um quadrinho que se justifica mais pelo seu discurso histórico (e nacionalista) do que pelo viés artístico de sua “carreira”. Alegoria ufanista americana, a HQ, só interessaria a seu reduto geográfico, mas, pelo visto, a Marvel conseguiu a façanha de dimensionar o interesse de seu produto dialogando espertamente com seu público alvo: o público jovem, teoricamente, em formação ideológica.

Pois essa esperteza política na HQ não foi transposta para o cinema: Johnston, que parece ter restringido seu talento a década de 90 com o memorável Jumanji, depois só fazendo filmes fraquíssimos como o banal Mar de Fogo e o chato O Lobisomem, dirige a superprodução com incômoda burocracia, fazendo valer a máxima obsoleta de sua incrível direção de arte, ou seja, tudo muito antiquado: da direção em si à construção anticlimática de seu vilão.

A trama acompanha Steve Rogers, cuja valentia natural não é representada por seu risível porte físico, o que acaba por limá-lo de suas várias tentativas de alistamento militar. Até que um cientista (o prolífero Stanley Tucci, sempre muito bom e creio que nem ele consiga mais enumerar a quantidade de filmes que fez até o momento) resolve escolher justamente o fracote para um experimento em que se transformaria num “supersoldado”, através de um soro que um dia gerou o Caveira Vermelha (o vilão Hugo Weaving). Logo, Rogers vira o Capitão América tornando-se ídolo militar dos EUA.

Ainda que conte com uma direção de arte fabulosa, o filme é – do início ao fim – anticlimático. O diretor conduz tudo de forma anacrônica não abrindo espaços para assimilação nenhuma com os personagens. Nem na ambientação objetiva do que seria o grande vilão da história, Johnston consegue injetar alguma vitalidade, nem que fosse puramente arquétipa. Logo quando Chris Evans entrega uma personagem para além de seu simplório carisma…

Arrisco dizer que, dos filmes-solos que precedem o esperado Os Vingadores, esse é o dos mais fracos. Vale ressaltar as boas performances de Sebastian Stan (talvez o personagem mais interessante da superprodução) e Hayley Atwell (uma mocinha para além dos paradigmas).
Diante de seu previsível sucesso (previsível não, uma vez que o tal Lanterna Verde, naufragou, apesar de ser DC) uma continuação é inevitável, o que por outro lado pode ser uma boa notícia dada a possível revisão… de tudo, por favor.

[xrr rating=2/5]

2 opinaram!

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  1. Entendo a critica, concordo com boa parte, mas devemos levar em consideracao que o filme busca manter um clima mais simples e inocente, de quando surgiu o quadrinho. Ponto positivo para o filme foi retirar o foco do nazismo e colocar o foco na Hidra, que faz parte do universo marvel e evita problemas ideologicos reais. Nao diria que o filme ‘e o mais fraco, Thor seria esse, mas este filme tem que ser visto como uma preparacao para o contraste que o Steve Rogers provavelmente vai representar diante de um mundo mais depressivo que ‘e o atual. Esperemos pelos Vingadores para confirmar isso.

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