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“Cine Holliúdy” traz de volta a ingenuidade para o cinema brasileiro

Nestes tempos cínicos que vivemos no cinema brasileiro de hoje, é cada vez mais difícil encontrar produções que prezam pela despretensão e estejam preocupadas em apenas entreter e contar uma história simples, que consiga se comunicar com o seu público de uma maneira direta, sem maiores invenções ou significados ocultos. Por isso, é muito gratificante quando surge um filme com essas qualidades como “Cine Holliúdy”, que é de 2012 e só chegou ao Sudeste do Brasil um ano depois.

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A trama, ambientada nos anos 70 e inspirada no curta “Cine Holliúdy – O Artista Contra o Cabra do Mal”, conta a história de Francisgleydisson (Edmilson Filho), que junto da sua mulher Maria das Graças (Miriam Freeland) e do filho Francisgleydisson Filho (Joel Gomes), chega à  cidade de Pacatuba, no interior do Ceará, para montar um cinema e exibir seus filmes antigos. O problema é que ele precisa enfrentar a chegada de um novo e poderoso inimigo: a televisão. Mas, com otimismo e muito jogo de cintura, o protagonista decide mostrar que é um cabra da peste e passa por cima das dificuldades para realizar os seus objetivos e, assim, conseguir sustentar a sua família com a sua grande paixão, que é o cinema.

Falcao

O filme, que se tornou o maior sucesso de público do Ceará de todos os tempos, com 280 mil pagantes, chama a atenção especialmente com a forma como conta a sua história. Com diálogos falados em “cearencês” (tanto que a produção é legendada para que as pessoas possam entender melhor), o bom humor permeia as cenas, com uma inocência que não se vê há muito tempo no cinema nacional. E é justamente essa forma despretensiosa que faz a diferença, já que o diretor e roteirista Halder Gomes (que foi o produtor do pavoroso “Area Q”) não tem medo de evidenciar algumas falhas de seu filme, como na produção um pouco desleixada e na direção de seus atores, que não rendem como o esperado. Não dá para cobrar muito, por exemplo, da atuação do cantor Falcão (como o Cego Isaías), mas ele compensa a sua inexperiência nas telas com o seu já conhecido carisma, que conquistou muitos fãs pelo país.

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Mesmo assim, Gomes conta a sua história de uma maneira apaixonada, que é capaz de amolecer até mesmo o coração do mais cético dos espectadores. Um dos trunfos do diretor está em seu Francisgleydisson, vivido de forma esplêndida por Edmilson Filho. O ator tem uma ótima performance como o protagonista, especialmente nas cenas em que tenta convencer os moradores da cidade cearense a ver o seu filme com sua lábia e também quando mostra uma boa cumplicidade de pai e filho com Joel Gomes (que lembra, um pouco fisicamente, o menino de “Cinema Paradiso”). Miriam Freeland também está muito bem como a esposa Maria das Graças, assim como o marido da atriz na vida real, Roberto Bomtempo, que interpreta o prefeito Olegário Elpídio, um típico político demagogo de uma cidade do interior.

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“Cine Holliúdy” pode até não fazer o mesmo sucesso retumbante que teve no Ceará (0nde obteve boa parte dos R$ 4,6 milhões que arrecadou até o momento que esse texto foi escrito) no Sudeste do Brasil. Mas certamente não deveria ser ignorado pelo grande público, em meio a tantos blockbusters que não são nada memoráveis. Para quem ama o cinema como Francisgleydisson, vale a pena dar uma chance e conferir um filme arretado que só ele.

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