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Clint Eastwood retoma sua contundência em "A Mula"

Clint Eastwood estava devendo um filme de peso fazia tempo. Embora algumas produções como “Jersey Boys: Em Busca da Música” e “Sully: O Herói do Rio Hudson” sejam interessantes como um todo, não há como compará-las à virulência de “Gran Torino”, “Cartas de Iwo Jima” e “Sobre Meninos e Lobos”, para citar alguns. Seu último filme, “15h17: Trem Para Paris” foi uma decepção unânime. Quando já se achava que Eastwood já estava melancolicamente fechando a tampa como diretor (até pelo avançar da idade) ele volta à contundência de outrora com “A Mula”, mostrando que com quase 90 anos de idade ainda encontra vigor para dirigir e atuar em um drama ntenso.
No filme, Earl Stone (Eastwood), é um horticultor de 90 anos, solitário, que está falido e enfrentando o fechamento de seus negócios. Eis que lhe é oferecido um emprego que simplesmente exige que ele dirija. Muito fácil, mas, sem atentar para detalhes, ele acaba de assinar como uma mula transportando drogas para um cartel mexicano. O “problema” é que ele executa bem – tão bem, na verdade – que sua carga aumenta exponencialmente, a ponto de chamar atenção do chefão do cartel. Mas ele não é o único de olho em Earl; as suspeitas atividades do idoso também atingiram o radar do agente da DEA Colin Bates (Bradley Cooper). E mesmo que seus problemas financeiros tenham ficado para trás, os erros passados começam a pesar muito sobre Earl.
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Eastwood é diretor de western. Por mais que a trama não tenha nenhuma relação com pistoleiros e diligências, ele dispõe as peças de modo que a analogia é pertinente. Isso pode não ficar tão claro em Menina de Ouro, mas nesse, que é inspirado em um inusitado fato real, talvez seja mais fácil a identificação. Grande quantia de dinheiro em jogo, o dilema de um homem, facções criminosas, a determinação do protagonista em cumprir sua missão como um bom soldado – ele é um veterano da Guerra da Coreia, como seu personagem em Gran Torino – são características típicas das narrativas do gênero que consagrou o ator.
A direção é precisa e com a serenidade de quem tem o pleno domínio do oficio de quase cinquenta anos de uma profícua carreira. A fotografia do canadense Yves Bélanger acrescenta textura à aridez da paisagem, que acentua o clima de western, assim como a bela música de Arturo Sandoval. A verdade com que Eastwood interpreta Earl é comovente. No final das contas, ele usa o dinheiro extra com boas intenções, como fazer média com a família de que se afastou, ajudar pessoas. Isso gera empatia com o espectador, apesar da atitude condenável. Uma característica em comum com outra estreia do final de semana, “Poderia me Perdoar”. Do outro lado está o agente Bates, interpretado por um Bradley Cooper apenas correto e seu auxiliar Trevino, Michael Peña em um papel bem distinto do Luis de Homem-Formiga.
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Alguns podem enxergar em A Mula uma manifestação xenófoba. Afinal, é um homem bom desvirtuado por traficantes chicanos. Vale lembrar que Eastwood é filiado ao partido republicano, que costuma sustentar uma visão conservadora, principalmente no que tange à imigração. Mas deixando o lado político de lado (o que é difícil nesse cenário de posicionamentos aguerridos) o que fica é a obra que não nos deixa esquecer que se trata de um dos melhores cineastas vivos.
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Publicação Cesar Monteiro