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"Clube de Compras Dallas" reflete suas memoráveis atuações masculinas

Cumprindo a cota dos “filmes independentes” que todo ano ilustram os indicados ao Oscar de Melhor Filme, “Clube de Compras Dallas” retrata a odisseia dramática e pessoal de Ron Woodroof (Matthew McConaughey), eletricista homofóbico diagnosticado com HIV, que cria seu próprio tratamento contra a AIDS – mesmo que isso o coloque em choque com o seu meio social e o governo norte-americano. A história é mesmo impressionante do ponto de vista da luta institucional que o rapaz impunha contra as autoridades para tentar mais tempo de sobrevida. O diretor Jean-Marc Vallée conduz bem sua narrativa até o terço final, onde acaba por reiterar demais os revezes pessoais de Ron na convivência árdua com a doença que carrega em si. Entretanto consegue algo maior: documentar – com alguma dose de maniqueísmo – o período inicial da disseminação do vírus HIV e a forma um tanto atrapalhada do governo americano de tentar controlar a doença.

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Já faz um bom tempo que Matthew McConaughey vem provando a qualidade de seu trabalho (para quem precisa de mais comprovações, corra para assistir “O Poder e a Lei“, “Amor Bandido” e, o excelente, “Killer Joe“), e aqui ele se joga não só fisicamente, mas na psique de seu personagem, sem sucumbir à uma interpretação clichê de dramas com temáticas similares. E quem poderia imaginar que o rock star Jared Leto era um bom ator? Seu personagem – um travesti – emprega uma docilidade marginal que se transforma no gancho dramático mais humano da luta de Ron. “Clube de Compras Dallas” tem dois grandes desafios claros: conseguir driblar o baixíssimo orçamento (U$ 5 milhões) e fazer da história real um retrato crível na percepção do espectador como cinema. O primeiro não consegue driblar completamente (apesar da boa maquiagem, os efeitos visuais são trashs). O segundo, vacila, mas ao apostar na honestidade de seu anti-herói, acaba resultando como um bom panorama da luta pela vida dos soropositivos no anos 80/90.

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