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Resenha: Correndo com Tesouras

Correndo com Tesouras é uma enganação do começo ao fim.

Me peguei ontem passeando por alamedas de video locadora, procurando uma comédia para aliviar o meu desânimo de feriado religioso que não significa nada para mim exceto um dia a menos para ganhar dinheiro. Peguei um vídeo, e após vê-lo só posso dizer algo: ME SENTI ENGANADO!!!

Agora eu pergunto uma coisa: “Como eu fui estúpido o bastante para me deixar pegar pela já velha pegadinha do crítico de jornal que acha o filme isso ou aquilo?

Eu devia ter lido os créditos do filme e visto que quem dirige é o odioso Ryan Murphy, que dirigiu uma meia dúzia de episódios de Nip Tuck e só. O elenco estelar que contém nomes como o de Annette Bening (Beleza Americana), Brian Cox (X-Men 2), Alec Baldwin e Evan Rachel Wood (de Across The Universe), bem como o novato Joseph Cross e o eternamente chato Joseph Fiennes (que não chega nem aos pés do irmão Ralph Fiennes) deveria ser mais uma mostra de que algo errado havia.

Todos são estrelas de nome e peso, mas perdidos nos últimos anos, sem sequer um filme bom.

A única que salva o filme, quando aparece, é Gwyneth Paltrow, que, interpretando a bela e beata Hope Finch, faz suas cenas serem deliciosamente sem noção.

Bem, vamos ao filme antes que eu xingue o contra-regra. A história de Augusten é um caos do começo ao fim. Sua mãe, poeta wanna be e surtada com a vida que leva, se apaixona pelas palavras do terapeuta chamado Dr. Finch (Brian Cox), que causa a separação do casal. Nisso, Augustine é levado a viver com a família do terapeuta enquanto a mãe se afunda em anti depressivos e relacionamentos lésbicos com suas amigas do grupo de poesia.

Augusten começa um relacionamento homossexual com Neil, também paciente do Dr. Finch. As filhas de Finch são uma mais pirada que a outra, a esposa é louca e o filme não sai do lugar.
Esse tipo de filme, se fosse filmado como um drama, sinceramente daria um Oscar para Annette Bening que está fantástica como a mãe pirada de Augusten. Brian Cox também está ótimo, assim como todo elenco. Só tem um problema: ESSE FILME NÃO É COMÉDIA!!! Segundo a porcaria escrita atrás da caixa do filme, ele é diabolicamente divertido e um dos filmes mais engraçados do mundo.

Será que só eu vejo problemas em tentar filmar um dramalhão ferrado desses em forma de comédia? Ou será que a comédia ficou muito séria? Isso é culpa de uma pessoa só: DO DIRETOR INCOMPETENTE! E minha por ter visto essa mer#$! Perdi 2 horas da minha vida esperando que aquele monte de coisas que acontece logo no começo do filme se tornassem algum tipo de crítica sobre a vida.

Não, o que se viu foram cenas e mais cenas sem graça, muito mal coreografadas, com uma cinematografia horrível, afinal Christopher Baffa só fez até hoje filmes de adolescentes e Nip Tuck, não poderiamos sequer esperar tomadas no mínimo ousadas como as feitas por Emmanuel Lubezki de Sleepy Hollow e Como Água para Chocolate ou Steven B. Poster de Donnie Darko.

Não quero desmerecer a história porque esta realmente aconteceu e Augusten Burroughs ficou famoso por causa do livro que ele escreveu sobre esses fatos. Mas, sinceramente, o roteiro, o diretor e o cinematógrafo acabaram com um filme que tanto poderia ser uma comédia de humor negro como um dramalhão oscarizado diversas vezes.

Por fim, gostaria de xingar a distribuidora do filme por enganar os espectadores que vão locar ou comprar o filme e lêem, na contra capa, o seguinte texto: “UM DOS FILMES MAIS ENGRAÇADOS DO ANO!” – Andrew Sarris, The New York Observer.

É mentira! Não é engraçado (exceto pelas cenas com Gwyneth Paltrow) e não merece figurar nem entre o top 400 de Bollywood (cinema indiano).
J.R. Dib

  • O filme contém elementos de humor negro e, de certa forma, depreciativo. Mesmo quem não gosta da abordagem, deve reconhecer os méritos da produção, a começar pelo ótimo elenco. Claro que é tudo meio over, exagerado. Culpa da inexperiência do diretor, não creio que seja "incompetência". Não foi habilidoso o suficiente para deixar claro se queria dar um ar kitsch ou se errou a mão. Mas ainda o prefiro do que muita comédia que tem por aí.

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