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Vem aí EL CAPITXN, o artista que transformou o silêncio em espetáculo

Foto: Divulgação

Com a turnê “WHO KILLED EL?”, produtor de hits do BTS e ex-vocalista do HISTORY chega à América Latina com uma performance que mistura confissão, rock sombrio e renascimento artístico

Alguns artistas sobem ao palco para cantar. Outros sobem para responder a uma pergunta. No caso de EL CAPITXN, a pergunta já está no próprio nome da turnê: “WHO KILLED EL?”. A provocação, que acompanha sua aguardada passagem pela América Latina em 2026, funciona menos como estratégia de marketing e mais como uma autobiografia em forma de espetáculo. A resposta, aliás, já foi dada pelo próprio artista: “Minha voz matou”.

Por trás da figura de outfits escuros, atmosfera gótica e apresentações quase teatrais está Jang Yi-jeong, nome conhecido entre fãs de K-pop desde os tempos de HISTORY, grupo em que estreou em 2013 como vocalista principal. Hoje, porém, sua assinatura mais poderosa talvez não esteja no microfone, mas nos bastidores da indústria.

Produtor de faixas ligadas a estrelas globais como BTS, Agust D e Jung Kook, além de TXT, IU e Baekhyun, EL CAPITXN se tornou uma das engrenagens mais sofisticadas da música pop sul-coreana contemporânea. Seu retorno ao centro do palco, portanto, não é apenas um debut solo tardio — é quase um acerto de contas com a própria história.

Jang Yi-jeong ao lado de Min Yoon-gi, o SUGA do BTS, no quadro de entrevistas ‘Suchwita’

Quando o idol desaparece e nasce o produtor

Antes do nome artístico, havia o idol. Jang Yi-jeong foi apresentado ao grande público como o integrante mais jovem do HISTORY, grupo lançado pela então LOEN Entertainment. Sua formação musical vinha de muito antes: a avó o apresentou ao piano, e a infância em corais ajudou a moldar uma extensão vocal incomum. Ele chegou a cantar como soprano, alcançando notas raramente ocupadas por vozes masculinas.

Mas o fim do grupo, em 2017, trouxe mais do que o encerramento de um ciclo profissional. Trouxe uma crise profunda.

Yi-jeong passou por um período em que perdeu o controle da própria voz, uma condição que afetava não apenas sua capacidade de cantar, mas também sua fala cotidiana. Para alguém que havia construído a própria identidade através da voz, o silêncio não era apenas técnico — era existencial.

Foi aí que nasceu EL CAPITXN.

Se o cantor foi interrompido, o produtor emergiu com força rara. Primeiro sob o nome J.Pearl, depois definitivamente como EL CAPITXN, ele encontrou no estúdio uma nova forma de permanência. Sua parceria com SUGA, do BTS, tornou-se uma das mais consistentes da HYBE, ajudando a moldar músicas como “Daechwita”, “Take Two”, “Stay Alive” e outras faixas que atravessaram o pop global.

Sua produção não persegue apenas o hit imediato. Há densidade, texturas e uma preocupação quase obsessiva com a forma como a música ocupa emocionalmente o ouvinte. É um pop que pulsa como memória.

Entre Iggy Pop e a liturgia do K-pop

Ao vivo, EL CAPITXN não parece interessado em reproduzir o formato tradicional do idol pop. Sua turnê aposta em uma estética de sombras: cruzes, morcegos, espadas, couro, transparências e um imaginário visual que parece dialogar com o gótico, o rock e a ideia de ressurreição.

Há um ar de personagem trágico, como se cada entrada em cena fosse também um funeral e um renascimento. Em alguns momentos, sua presença lembra a insolência física de Iggy Pop — não como imitação direta, mas pela maneira como o corpo se torna linguagem. O palco não serve apenas para performance; ele vira território de exposição.

Se Iggy fazia da desordem uma forma de arte, EL CAPITXN transforma vulnerabilidade em arquitetura visual. Seu show é híbrido: parte DJ set, parte concerto instrumental, com guitarra, teclado e uma construção sonora que reforça sua identidade de produtor. Ele não canta apenas suas músicas — ele encena o processo de reconstrução de si mesmo.

Talvez por isso a turnê tenha sido descrita por fãs menos como um concerto e mais como uma espécie de instalação artística ao vivo.

América Latina no centro da narrativa

A chegada da turnê à América Latina em julho de 2026 não é casual. O Brasil recebe seis datas — Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Manaus e Recife — além da parada em Santiago, no Chile.

Em um ano dominado por megaeventos internacionais, com shows do The Weeknd, Bad Bunny, da Shakira e a expectativa pela volta do BTS a solo brasileiro após sete anos de espera, EL CAPITXN aposta no caminho oposto: menos estádio, mais intimidade.

Sua escolha por múltiplas cidades fora do tradicional eixo Rio-São Paulo também chama atenção. Há uma leitura clara de que o fandom brasileiro não se resume aos grandes centros — e de que a conexão construída ao longo dos anos nos bastidores agora merece presença física.

Os fãs, chamados de “El Dorphins”, ajudam a sustentar essa atmosfera. O nome mistura o artista, a ideia de endorfina e a imagem do golfinho, animal admirado por Yi-jeong. É um fandom que opera mais como comunidade afetiva do que como simples audiência.

Nos shows internacionais, ele desceu do palco, abraçou fãs e transformou o pós-show em despedida pessoal. A contradição entre a figura sombria e a postura calorosa faz parte do magnetismo.

“WHO KILLED EL?” não é apenas uma pergunta promocional. É uma narrativa sobre o que sobra quando a versão anterior de si mesmo deixa de existir. E talvez o mais interessante em EL CAPITXN seja justamente isso: ele não voltou porque recuperou a voz. Voltou porque descobriu como transformar a ausência dela em linguagem.

Ingressos à venda para a turnê “WHO KILLED EL?” na América Latina

As vendas para todas as datas da turnê Latam começaram oficialmente em 24 de abril, às 13h (horário de Brasília), pela plataforma Q2 Ingressos.

Além da entrada regular, a turnê conta com pacotes VIP — que costumam incluir acesso à passagem de som (soundcheck), sessão de fotos, photocards exclusivos, pôster autografado e a chamada “good-bye session”, um momento final de interação com o artista após o show.

Em um calendário de shows internacionais cada vez mais competitivo, a turnê de EL CAPITXN oferece uma experiência menos monumental e mais sensorial — uma chance rara de ver, de perto, um dos produtores mais influentes do K-pop finalmente ocupar o centro da própria narrativa.

Datas confirmadas

4 de julho — Brasília
5 de julho — Rio de Janeiro
10 de julho — Santiago (Chile)
12 de julho — Porto Alegre
18 de julho — São Paulo
25 de julho — Manaus
26 de julho — Recife

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