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Crítica: "Aviões 2 – Heróis do Fogo ao Resgate" é um produto desnecessário

Em 2011 a Pixar resolveu fazer uma continuação de “Carros”, que apesar de ter certo charme, era seu filme mais fraco – talvez por ser uma produção de fim de contrato. A Disney, dona dos direitos de merchandising e distribuição sobre a Pixar acordou com a empresa criada por Steve Jobs que o contrato iria até 2006. Mas tudo acabou bem com a incorporação milionária da casa de Woody à casa do Mickey, e a ordem do império do tio Walt era faturar em cima de continuações, o que gerou o fraco “Carros 2”. Apesar de decepcionar nas bilheterias, o filme rendeu um derivado, “Aviões”, não produzido pela Pixar, e sim pela divisão chamada Disneytoon. Por incrível que pareça o longa também ganhou uma continuação, “Aviões 2 – Heróis do Fogo ao Resgate” (“Planes: Fire & Rescue”, EUA/2014) em circuito no Brasil.
Dirigida por Roberts Gannaway (de “Stitch! O Filme”), a nova trama apresenta uma dinâmica equipe de elite de aviões de combate a incêndios que se dedica a proteger o histórico Parque Nacional de Piston Peak. Quando o famoso corredor aéreo Dusty fica sabendo que seu motor está danificado – e que talvez nunca mais possa correr -, ele precisa mudar de ofício e é lançado no mundo aéreo de combate a incêndios. Dusty se junta ao veterano helicóptero de combate a incêndios e resgate, Patrulheiro Blade, e sua corajosa equipe aérea, incluindo a espirituosa tanque aéreo Lil’ Dipper, o helicóptero de carga pesada Windlifter, o ex-militar de transporte aéreo Cabbie e um grupo vibrante e destemido de veículos para todos os terrenos conhecidos como Smokejumpers. Unida, a corajosa equipe luta contra um enorme incêndio, e Dusty aprende o que é necessário para se tornar um verdadeiro herói.
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Nota-se que os realizadores optaram por uma vertente mais aventuresca nesta sequência, mas sem deixar o tom engraçadinho de lado. É uma história sobre heroísmo e superação, seguindo a cartilha do cinemão americano. O efeito colateral é uma dose de correção um pouco além do necessário, deixando tudo muito “quadrado”, por vezes entediante. Algumas piadas referenciais certamente não serão captadas pelo público infantil, principal destinatário da animação, como a paródia do seriado dos anos 70 “Chips”. A dublagem nacional, que traz Tatá Werneck como chamariz, insere várias citações popularescas, de Valesca Popozuda a Compadre Washington.
O problema aqui é que, já que se trata de uma produção de segunda divisão, e talvez fosse melhor ter sido lançada diretamente em DVD (o que costuma ser o alvo da Disneytoon). Não vemos na animação a sagacidade das produções da Pixar, ou o encantamento recém recuperado pela Disney com “Frozen”. Tudo em “Aviões 2” parece genérico, surrado e o objetivo que fica claro ao final da exibição é a venda de brinquedos, que certamente será o maior êxito financeiro do longa. No que tange à qualidade da animação e da renderização, este supera o antecessor: o parque florestal, inspirado no Parque Yosemite, está deslumbrante. Outro ponto positivo é a trilha sonora, que traz até AC/DC.
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Em suma, “Aviões 2” é um produto desnecessário que pode entreter as crianças menores, porém os maiores farão a comparação com a Pixar e se sentirão lesados. John Lasseter assina a produção executiva, mas seu toque de Midas que nos deu Toy Story e Vida de Inseto não está aqui. Seria muito mais interessante e honesto se tivessem transformado em uma série do canal Disney Channel. Ah, como de praxe nas animações atuais, há uma cena pós-crédito (na verdade entre créditos), mas sem muita graça.

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Publicação Cesar Monteiro