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Crítica: “Homem-Formiga” mantém o bom nível dos filmes da Marvel

Em 2006, quando ainda estava no início de seus trabalhos, a Marvel Studios anunciou quais seriam os primeiros personagens que seriam adaptados dos quadrinhos para o cinema. Entre eles, estavam o Homem de Ferro (o primeiro e melhor sucedido, tanto de público quanto de crítica, e tornou Robert Downey Jr. um superastro), Capitão América, Thor e uma nova versão do Hulk. A ideia era desenvolvê-los em filmes solo para que, mais tarde, todos se unissem numa trama como Os Vingadores. Mas além desses heróis, a Marvel também queria trabalhar com um personagem que também foi um dos fundadores do supergrupo, que não era tão popular quanto seus companheiros: o Homem-Formiga. Para isso, contrataram Edgar Wright, cultuado por “Todo Mundo Quase Morto” e “Scott Pilgrin Contra o Mundo”, o que deixou os fãs aliviados e curiosos em saber como o diminuto herói se sairia na telona. Porém, um tempo depois, Wright deixou o projeto alegando as famosas “diferenças criativas” entre ele e o estúdio (que já tinha se tornado um nome de referência em termos de filmes de super-heróis, graças a seus sucessivos sucessos). Assim, Peyton Reed (de “Separados Pelo Casamento” e “Sim, Senhor”) assumiu a direção de “Homem-Formiga” (“Ant-Man”), escolhido para ser o encerramento da chamada “Fase 2” da Marvel no cinema. Embora não seja tão marcante quanto “Homem de Ferro”, “Os Vingadores” (e sua continuação, “Era de Ultron”) ou “Capitão América 2: O Soldado Invernal”, nem tão divertido quanto “Guardiões da Galáxia”, o filme ainda assim obtém um bom resultado e deve conquistar o grande público.

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A trama acompanha Scott Lang (Paul Rudd), um ladrão de bom coração que quer se tornar uma pessoa decente após deixar a cadeia, para poder participar mais da vida da filha Cassie (Abby Ryder Fortson), embora a ex-esposa, Maggie (Judy Greer) e seu novo marido, o policial Paxton (Bobby Canavale) não gostem muito da ideia. Após tentativas frustradas de conseguir um bom emprego, Scott é levado pelo amigo Luis (Michael Peña) a realizar mais um roubo. Só que as coisas não dão certo e ele acaba sendo preso novamente. Mas a sorte dele muda quando surge em sua vida o Dr. Hank Pym (Michael Douglas), um cientista que já fez parte da S.H.I.E.L.D., e precisa de seus talentos para roubar uma tecnologia criada por seu ex-pupilo Darren Cross (Corey Stoll). Para realizar a operação, Pym dá a Scott um traje especial que possibilita que seu usuário fique do tamanho de uma formiga (mas com uma força capaz de derrubar homens comuns), além de poder se comunicar com esses insetos. Assim, ele poderia realizar sua missão de uma forma que ninguém mais poderia. Auxiliado por Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), filha de seu novo mentor, que tem problemas de relacionamento com o pai, Scott aprende a lidar com sua nova realidade e descobre o herói que tem dentro dele, como o Homem-Formiga.

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Bem menos ambicioso que “Vingadores: Era de Ultron”, por exemplo, “Homem-Formiga” surpreende positivamente pela sua história redondinha, embora sem grandes inovações, que trata de questões universais, como a relação entre pais e filhos, tornando-o um típico programa familiar, que vai agradar tanto as crianças quanto os adultos. A direção de Peyton Reed (que quase dirigiu um filme do “Quarteto Fantástico” e teve, finalmente, sua chance de comandar uma aventura de super-heróis) é segura e cria sequências interessantes com mudanças de perspectiva, especialmente quando Scott diminui de tamanho e tem que enfrentar, por exemplo, um maremoto provocado pela água de uma banheira. Aliás, esse é o filme da Marvel Studios que melhor utilizou, até agora, o 3-D, já que o recurso deu mais profundidade às cenas, algo que não foi bem sucedido nas produções anteriores. Outro momento que vai levar os fãs ao delírio é a participação de um dos Vingadores num momento bastante interessante da trama.

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Outro mérito é o roteiro, escrito oficialmente a oito mãos por Edgar Wright, seu parceiro Joe Cornish, Adam McKay (de “Tudo Por um Furo”) e o astro Paul Rudd, que consegue equilibrar bem a ação e a comédia, além de ter ótimas referências pop, como a utilização de uma música do grupo The Cure numa cena de luta entre o herói e o vilão Jaqueta Amarela, além de lembrar de outros elementos e personagens do Universo Cinematográfico Marvel, como Howard Stark  (John Slattery, de volta ao papel) e a agente Peggy Carter (numa ponta de Hayley Atwell). Os efeitos especiais são bem feitos, especialmente nas que mostram as desventuras do Homem-Formiga em seu minúsculo universo, embora não sejam os melhores que foram mostrados este ano até agora. Mas vale destacar a sequência que mostra Hank Pym mais jovem, já que foi realizado um notável trabalho de computação gráfica para rejuvenescê-lo.

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Para o elenco, a Marvel foi feliz em escalar seus protagonistas. Paul Rudd mostra que tem carisma e faz o público torcer para que ele seja bem sucedido em sua missão para se tornar alguém de que sua filha (a gracinha Abby Ryder Fortson) possa se orgulhar. Ele também revela uma boa cumplicidade com o personagem de Michael Douglas, que se sai muito bem como o genial (e por vezes amargurado) Hank Pym, ao conseguir dar credibilidade ao seu personagem. Evangeline Lilly também não decepciona e torna crível seu ressentimento com o pai, além de ter bastante química com Rudd, especialmente nas cenas em que os dois treinam artes marciais, deixando no ar uma certa tensão sexual. Michael Peña cumpre bem o seu papel de alívio cômico, como o amigo do herói que adora aplicar golpes. Já Corey Stoll não obtém um bom resultado como Darren Cross, já que seu vilão nada mais é que um pastiche de Obedah Stane, o inimigo do Homem de Ferro interpretado por Jeff Bridges no primeiro filme estrelado por Robert Downey Jr, que, por sua vez, tinha muitas semelhanças com Lex Luthor, o nêmesis do Superman.

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Embora tenha um desfecho anticlimático (compensado pelas duas cenas extras que rolam durante os créditos finais), o saldo de “Homem-Formiga” é bastante positivo. Não é um filme antológico, mas cumpre bem a missão de apresentar para o espectador leigo um herói que, se bem trabalhado, pode alcançar grande popularidade, apesar de seu pequeno tamanho. Além disso, ele com certeza será cada vez mais lembrado na próxima fase do Universo Cinematográfico Marvel e deve marcar presença nos Vingadores. Basta aumentar ainda mais seu potencial como bom personagem que é nos anos (e sequências) que virão.

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Publicado por Célio Silva

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