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Crítica: “Irmã Dulce” consegue emocionar o público com a bela história do “Anjo Bom da Bahia”

Com as biografias ganhando cada vez mais espaço no cinema nacional, a história de “Irmã Dulce” foi uma aposta que deu certo. Dirigido por Vicente Amorim (de Confia em Mim, 2012 e Rio, Eu te amo, 2013), o filme retrata a vida de Irmã Dulce da infância até o encontro dela com o Papa João Paulo II, em 1980.
Filmado em Salvador, o longa traz três atrizes no papel principal: Sophia Pereira Brachmans, que mostra a doce menina Maria Rita (nome de batismo de Irmã Dulce) desde cedo acompanhando a tia em suas visitas de caridade; Bianca Comparato, que dá vida a Irmã Dulce dos 20 aos 45 anos; e Regina Braga, que interpreta a beata até os seus últimos anos.

Reconhecidamente uma grande atriz, Regina Braga faz um bom trabalho em Irmã Dulce, mas realmente é Bianca Comparato quem consegue captar a essência da personagem com toda a sua fragilidade física, sua fala sempre interrompida pela tosse, seus gestuais e sua maneira de andar. Mesmo sem a semelhança física, Bianca é Irmã Dulce em muitos dos melhores momentos do filme.
Boa parte da narrativa foi utilizada para contar a relação maternal da protagonista com João, interpretado na fase adulta pelo premiado ator de teatro Amaurith Oliveira. A ligação afetiva entre os dois colaborou ainda mais para humanizar Irmã Dulce e afastar da tela o lado solene que o peso que a personagem carrega.

A trama em seus rápidos 90 minutos mostra a freira enfrentando muitas dificuldades durante a sua luta para oferecer assistência aos doentes e aos mais pobres. Ela enfrenta o machismo da década de 40, o descaso e o oportunismo dos políticos, a resistência de religiosos dentro da própria Igreja e as limitações da própria saúde. O famoso caso do cuspe na mão e a conturbada reunião com o Governador do Estado da Bahia não foram esquecidos.

Mesmo com uma rápida aparição como a mãe da pequena Maria Rita, a sempre excelente Glória Pires é a responsável por um dos momentos mais emocionantes da história, que marca profundamente a vida da protagonista. “Se rezar, passa?”, pergunta chorando a menina para a mãezinha que está quase morrendo. “Passa”, responde a mãe fechando os olhos.
A direção de arte assinada por Daniel Flaksman e a fotografia de Gustavo Habda merecem aplausos. Os enquadramentos mostrando Irmã Dulce em uma posição sempre abaixo de seus superiores e no mesmo plano de sua família e das pessoas a quem ela ajudava contribuiu para ressaltar o lado humano da freira que foi beatificada pelo Papa Bento XVI em 2011.

Certa vez perguntaram a Irmã Dulce o que fazer para mudar o mundo. Ela olhou com ternura e disse: “O que fazer para mudar o mundo? Amar. O amor tem o poder de mudar a realidade das pessoas”.

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