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Crítica: "Operação Big Hero" mostra que união entre Disney e Marvel ainda consegue encantar

Ao que parece, por enquanto, o casamento da Disney com a Marvel ainda não apresenta aquela crise que surge quando se passam os primeiros anos de felicidade completa, muito frequente nos matrimônios. Primeira animação em longa-metragem do estúdio de sucessos recentes como “Frozen” e “Detona Ralph”, inspirada em quadrinhos pouco conhecidos da Casa das Ideias, “Operação Big Hero” (“Big Hero 6”) reúne diversos elementos que consagraram outras produções do lar do Mickey Mouse, como relações familiares, personagens divertidos e carismáticos, além de bastante ação para fisgar o coração do espectador, seja ele grande ou pequeno, diante da telona.
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A trama se passa em San Fransokyo (mistura de San Francisco com Tóquio), onde vive Hiro Hamada, um jovem gênio da robótica que usa seus talentos para participar de lutas clandestinas com robôs. Seu irmão Tadashi resolve utilizar sua genialidade para realizar coisas mais construtivas e o incentiva a conseguir uma vaga na universidade que estuda. Só que algo inesperado acontece durante a sua apresentação, que acaba atingindo a dupla de maneira irreversível. Na tentativa de descobrir o que ocorreu, Hiro vai contar com a ajuda de Baymax, o robô médico inflável criado por Tadashi, além dos amigos Go Go Tomago, que curte a velocidade, o obcecado por organização Wasabi, a especialista em química Honey Lemon (dublada por Fiorella Mattheis) e o fã de quadrinhos Fred (que ganha a voz de Marcos Mion, surpreendentemente bem). O grupo desenvolve armaduras especiais para combater um misterioso vilão mascarado, que roubou uma das invenções de Hiro e tem planos que podem causar graves problemas para a cidade.
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Os diretores Don Hall (que tinha feito “O Ursinho Pooh” em 2011) e Chris Williams (“Bolt: Supercão”, 2008) realizam aqui o seu melhor trabalho para a Disney, onde conseguem criar boas sequências de ação (que ficam ainda melhores se vistas em 3-D), especialmente no terço final do filme. Eles também conseguem equilibrar os momentos mais emotivos, especialmente aqueles envolvendo Hiro e seu irmão, sem cair na pieguice, algo que perigosamente poderia acontecer. Outra coisa que merece destaque no filme é como é mostrada a cidade de San Fransokyo, onde podemos ver edifícios modernos, como os da capital japonesa, contrastando com as ruas inclinadas, especialmente numa cena de perseguição de carros, referência ao clássico “Bullitt”, estrelado por Steve McQueen, além de uma ponte que é, claramente, inspirada na Golden Gate de San Francisco. O design do vilão e suas ameaças robóticas também são muito interessantes. Além disso, é louvável que o roteiro escrito a seis mãos por Jordan Roberts, Daniel Gerson e Robert L. Baird não mostre seus protagonistas totalmente confortáveis com seus novos poderes e cometam erros em suas primeiras ações.
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Talvez uma das falhas de “Operação Big Hero” é que, à exceção de Hiro, os outros integrantes do grupo de heróis sejam pouco desenvolvidos, servindo de simples escadas para o protagonista por causa de sua superficialidade. Mas o filme compensa com a boa relação do garoto com o robô Baymax, o verdadeiro destaque da animação. Programado para cuidar do bem estar dos outros, Baymax se revela uma criatura dócil e inocente, que tenta ser uma espécie de conselheiro para Hiro e não percebe, inicialmente, a força que possui, especialmente por aparentar estar fora do físico considerado ideal. Aos poucos, o robô conquista o menino (e, por tabela, o público) com seu jeito meio infantil de lidar com os obstáculos que surgem durante a história, lembrando um pouco a dinâmica que Brad Bird (de “Os Incríveis” e “Ratatouile”) utilizou no ótimo, porém pouco visto, “O Gigante de Ferro”.
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Embora seja mais atraente para os meninos do que para as meninas (não tem canções, como em “Frozen”), “Operação Big Hero” cumpre bem o objetivo de divertir adultos e crianças e, talvez, lançar uma nova franquia de animação para a Disney, que parece estar colocando as coisas nos trilhos, sem depender tanto da genialidade do pessoal da Pixar. Uma dica: Não deixe o cinema antes do fim dos créditos! Há uma cena extra que vale muito a pena ser vista, especialmente por ser uma das mais engraçadas do filme. Se desligarem a projeção antes, reclame com o gerente. Vai valer a pena.

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