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“Cry Macho: O Caminho da Redenção” expõe o cansaço de Clint Eastwood

Aos 91 anos, o diretor Clint Eastwood não só continua na ativa lançando filmes quase anualmente, como vem tentando fazer deles um exercício de revisão de seus velhos discursos. Essa tentativa, na prática, tem revelado um aparente e constante cansaço. Cry Macho: O Caminho da Redenção provém de um projeto de mais de 30 anos do diretor de adaptar o livro homônimo de N. Richard Nash que enfim ganha vida.

Claramente mais velho que o papel original, Clint também protagoniza a história de um ex-peão de rodeio que, em 1979, aceita o pedido de seu ex-patrão para buscar seu filho do outro lado da fronteira, no México. Óbvio que a razão do filho estar lá é complexa e esse “favor” colocará à prova sua noção de caubói solitário que enxergava em si desde a morte da mulher e filho anos antes.

Existe um ponto comum entre esse filme, A Mula e Gran Torino, alguns de seus últimos longas: o roteirista Nick Schenk. Isso quer dizer que se trata de um recorte da desconstrução da persona de Dirty Harry, mas paradoxalmente, um tanto ingênua. E aqui isso quase soa banal. Estão lá o clichê da relação de troca mútua entre um veterano e um jovem instintivo, a humanização do caubói e até simbologias cívicas com bandeira americana (o “vilão” no final desaparece numa penumbra sob a bandeira americana ao vento).

Fora as opções cênicas involuntariamente cômicas de Clint nas cenas de conflitos. Chega a ser constrangedor. Tudo isso desemboca num final apressado e sem o menor polimento dramático. Por mais que o diretor ainda tenha domínio sobre sua filmografia e esteja vívido em sua continuidade, Cry Macho demonstra seu próprio cansaço. É como se a vitalidade ficasse na realização e não na criação. Para além do respeito pela sua carreira, sua prerrogativa (sobretudo até o início dos anos 2000) segue falando mais alto que possíveis desacertos.

 

Nota: Regular – 2,5 de 5 estrelas

“Cry Macho: O Caminho da Redenção” expõe o cansaço de Clint Eastwood
2.5 / 5 Crítico
Avaliação

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