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“Depois da Terra” fracassa na intenção e principalmente na falta dela

O grande problema de “Depois da Terra” é a excessiva ambição de um astro e a falta de potencialidade de um (teoricamente consagrado) diretor.
Jaden Smith;Will SmithWill Smith querendo expandir para o filho o seu apelo até então certeiro no cinema, resolveu escrever uma ficção científica pós apocalíptica para enaltecê-lo. M. Night Shyamalan, desacreditado por Hollywood, entra no projeto, mas dirige como se estivesse numa repartição pública. Claro que esses pecados renderiam uma bilheteria fracassada em pleno verão norte americano.

O planeta foi abandonado pelos humanos e tomado por uma feroz vida selvagem que “evoluiu para caçar os seres humanos”, mesmo que nenhum tenha pisado no lugar em mil anos. Após um acidente, o veterano de guerra Cypher Raige (Will) se vê sozinho na Terra com seu filho Kitai (Jaden Smith). Junto deles está uma criatura chamada Ursa, desenvolvida por alienígenas para matar seres humanos perseguindo-os pelo cheiro do medo. Quando os dois são separados nesse acidente, a relação e o instinto do medo dos dois é colocado à prova.

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Pelo visto Will não tem lá grandes talentos para dramaturgia. A trama é cheia de forçações de gênero e de uma chatice emocional sem tamanho. Na primeira meia hora de filme já se pressupõe a banalidade da história e só nos resta lutar para não cair no sono. Jaden, que brilhou com sua inocência no bom “A Procura da Felicidade”, não convence como “guerreiro do futuro”, ou seja, não tem cacife para segurar boa parte da projeção sozinho. A direção de arte é tenebrosa, os efeitos bizarros e a fotografia (sempre um forte dos filmes do diretor), apenas protocolares. Shyamalan ainda precisa se encontrar no cinema. O seu talento foi definitivamente eclipsado pelo seu ego e agora só se envolve em projetos medíocres. Uma das carreiras mais controversas de Hollywood hoje o diretor anda mesmo precisando é de um analista. E Will Smith, de um pouco de senso do seu espaço como artista e, pelo visto, como pai.

[xrr rating=1/5]

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Publicação Renan de Andrade