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“Entrando Numa Roubada” peca pelo entusiasmo

O chamado “cinema de guerrilha” tem o frescor do risco. E muito do cinema feito hoje no Brasil pode ser considerado da alcunha (menos por estética, mais por recursos), mesmo que dentro disso haja pouco juízo de valor. Existe muita guerrilha e boas intenções na conjuntura de Entrando Numa Roubada. Em tese, seu ponto de partida, tanto no que tange a ideia quanto na execução, diz muito sobre isso.

A história gira em torno de amigos que fizeram uma breve fama ao lançar um longa chamado ‘’Missão Explosiva’’, e que depois disso, foram traídos e esquecidos no limbo depois de sofrerem um roubo de um dos colegas.

Quando Vitor (Bruno Torres) recebe uma premiação de cem mil reais por um de seus roteiros, este decide reunir seu grupo e tentar mais uma vez o sucesso: Laura (Deborah Secco), Eric e Alex, que atuam junto a ela e que são vividos por Julio Andrade e Marcos Veras respectivamente, e por último Valter, o diretor, interpretado por Lucio Mauro Filho. Diante do objetivo, mais uma vez, nem todos sabem que os planos de um deles podem ser outros.

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O roteiro brinca dentro de uma estrutura de reality show e encontra liga em sua verdadeira comedia de erros. Ainda que seja irregular num todo, o roteiro segue uma dinâmica incessante pela cartilha do road movie, o que permite viradas divertidas e/ou convincentes.

Tecnicamente, o filme carece de capricho, o que fica claro nos efeitos e na fragilidade de sua fotografia. Ecos da guerrilha? Não necessariamente. Talvez essa primeira direção de longa metragem de André Moraes delire em sua própria pretensão. Mas pretensão não é necessariamente um problema quando se trata de cinema. Problema mesmo é quando o excesso de entusiasmo fragilize a (boa) história que tem em mãos. É o caso de Entrando Numa Roubada, onde a ser de guerrilha agregou entusiasmo, mas não o eximiu de seus defeitos.

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