em ,

'Eu Só Posso Imaginar' conta história de superação com pouca ambição artística

Não é de se espantar que “Eu Só Posso Imaginar” (I Can Only Imagine, EUA/2018) tenha sido um grande êxito nas bilheterias estadunidenses. O longa traz uma história de superação ao gosto do americano médio, com forte carga dramática, lição de moral e estímulo para o choro livre. A história por trás do maior sucesso do pop cristão (gênero tão caro por lá antes mesmo de aqui) envolve todos esses elementos que, espertamente trabalhado pelos diretores, só poderia mesmo ter esse resultado: custou US$7 milhões e faturou US$17 milhões logo no primeiro final de semana, em março. Com mais US$80 milhões na conta, é o filme mais lucrativo do ano, tendo faturado mais que dez vezes o seu valor.

'Eu Só Posso Imaginar' conta história de superação com pouca ambição artística | Críticas | Revista Ambrosia

Acompanhamos a jornada de Bart Millard (J. Michael Finley), um jovem que desde criança sonha em ser artista, mas encontra num ambiente doméstico hostil um grave empecilho para a sua realização. Mais tarde, ele se junta à banda MercyMe e compõe a canção ‘I Can Only Imagine’, que, além do sucesso absoluto, chama atenção por ter sido composta em apenas dez minutos.
O filme sofre do grande mal das produções americanas destinadas ao público cristão: não proporcionar ao menos o mínimo de pujança artística, resvalando-se em um espetáculo pobre como um telefilme da década de 90. Os irmãos Adrew e Jon Erwin conduzem o show no piloto automático, obedecendo da receita de bolo estabelecida no roteiro do próprio Jon e de Brent McCorcle – que já trabalhara com eles em “Talento e Fé” e curiosamente assina também a edição. A história de Millard, como várias outras trajetórias rumo à fama, é um prato cheio para um drama cinematográfico, mas os irmãos Erwin fazem questão de acentuar todos os clichês inerentes a esse tipo de produção.
 
'Eu Só Posso Imaginar' conta história de superação com pouca ambição artística | Críticas | Revista Ambrosia
Com essa matéria prima em mãos, é até surpreendente o desempenho do estreante no cinema J Michael Finley. Ele consegue transmitir adequadamente o sofrimento e ao mesmo tempo a obstinação de Millard. A empatia que ele gera é uma das glórias salvadoras do filme. Dennis Quaid, no papel do pai carrasco do protagonista também tem momentos florescentes.
No Brasil a canção não é conhecida e dificilmente o filme repetirá por aqui o êxito que teve no mercado doméstico. “Eu Só Posso Imaginar” seria bem sucedido como cinema se os envolvidos no projeto tivessem a mesma tenacidade em entregar uma obra definitiva que Millard teve ao perseguir o Olimpo da música gospel.
'Eu Só Posso Imaginar' conta história de superação com pouca ambição artística | Críticas | Revista AmbrosiaFilme: Eu Só Posso Imaginar (I Can Only Imagine)
Direção: Irmãos Erwin
Elenco: J Michael Finley, Dennis Quaid, Madeline Carroll
Gênero: Drama biográfico
País: EUA
Ano de produção: 2018
Distribuidora: Paris Filmes
Duração: 1h 50 min
Classificação: 12 anos

Participe com sua opinião!