Fazendo o básico, “Besouro Azul” dá fôlego à bagunçada DC atual

Para muitos críticos ouvidos na sessão para a imprensa de “Besouro Azul”, a produção ganharia muito mais se fosse lançada uns cinco anos atrás. Seu viés genérico e diálogo adolescente repercutiria com mais fluidez fora da zona cinzenta que os filmes baseados em HQs se encontram hoje, num claro e duradouro sinal de desgaste. Acho…


Para muitos críticos ouvidos na sessão para a imprensa de “Besouro Azul”, a produção ganharia muito mais se fosse lançada uns cinco anos atrás. Seu viés genérico e diálogo adolescente repercutiria com mais fluidez fora da zona cinzenta que os filmes baseados em HQs se encontram hoje, num claro e duradouro sinal de desgaste. Acho o contrário. A total falta de expectativa para com o filme (e o gênero em si) fez bem ao resultado.

“Besouro Azul” é um barato. Derivativo, mas carismático. O jovem mexicano Jaime Reyes (o bom Xolo Maridueña), tenta tirar a família da pobreza após se formar em direito e descobrir que pode perder a casa onde mora pela especulação imobiliária impetrada pelas Indústrias Kord. Sua situação muda quando cruza o caminho da herdeira do conglomerado Jennifer Kord (a reluzente Bruna Marquezine), que está tentando desmantelar as ações tirânicas da tia Victoria (Susan Sarandon, se divertindo), especialmente quando a mesma toma posse de uma tecnologia alienígena de alcance destrutivo inimaginável. Óbvio que isso cai nas mãos de Jaime, que agora precisa lidar com o novo superpoder.

Dirigido pelo mexicano Ángel Manuel Soto, o filme tem muita propriedade sobre a cultura pop mexicana (e sua dimensão latina) e isso é de suma importância para desviar a narrativa da cartilha que ele mesmo segue. Essa leveza despretensiosa – da qual a própria DC poucas vezes se deixa levar – funciona exatamente por se valer de signos culturais para entreter uma salteia já tão calejada (e por que não, cansada?) das últimas produções um tanto pedestres do gênero.

O elenco ajuda bastante, principalmente para nós brasileiros, já que a estreia de Bruna em Hollywood, além de bem aproveitada, já da uma ideia do alcance que ela pode chegar com seu talento. Inclusive uma das cenas pós créditos, anuncia que vem mais por aí da atriz… Com roteiro previsível, mas elenco alinhadíssimo, efeitos bem bons para o cenário atual e um herói gente como a gente, “Besouro Azul” veio de mansinho e mostrou que, sem pressão, a DC ainda entrega. Nem que seja um bom básico.

Besouro Azul

Besouro Azul
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Nota: 8/10: Excelente
Nota: 8/10: Excelente
8/10
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