Festival do Rio: Destricted.br

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Festival do Rio: Destricted.br | Filmes | Revista AmbrosiaEm sua única exibição dentro da mostra Panorama do Cinema Mundial do Festival do Rio 2010, Destricted.br lotou o enorme Cine Odeon. Além do sexo explícito como chamariz, a proposta de sete curtas produzidos por artistas plásticos, repensando o papel da pornografia na arte, atraiu atores, cantores, jornalistas, curiosos e cineastas.

A versão brasileira do projeto de Neville Wakefield, curador de centro de arte contemporânea do MoMa, ainda está em aberto, mas nos 90 minutos do filme, vimos as propostas dos artistas Adriana Varejão, Miguel Rio Branco, Tunga, Marcos Chaves, Janaina Tschäpe, Lula Buarque de Hollanda e do português Julião Sarmento. A idéia era colocar a pornografia e o sexo explícito como material artístico, com a capacidade tranformadora das artes plásticas, mas acho, humildemente, que os artistas perderam a chance…

O sexo, como tema, aparece em todos os curtas. Há sexo explícito e independente de falsos moralismos, toda a beleza que pode ser encontrada no ato sexual. Mas o cinema é outra mídia, outra linguagem. As obras continuam com seu valor e sua contundência, mas fica muito explícito que os criadores são artistas plásticos e que esses vídeos talvez fossem ótimas instalações ou video performances.

Eu não sou crítico de arte (e nem de cinema, melhor ficar na minha), mas acho perfeitamente possível que um artista consiga colocar sua marca pessoal em qualquer obra, seja qual for a mídia. Então, não faz muito sentido desperdiçar a força do cinema (e da pornografia) e investir em vídeos esteticamente interessantes, mas sem essa força.

Como obra, há coisas interessantes, é claro. Ponto de Vista, de Janaina Tschäpe, mostra uma cena efetivamente pornográfica, mas vista através de uma câmera na testa da atriz. Provoca, por que realmente muda o ponto de vista de um filme pornô, quase como se o espectador fosse aquele “objeto” sendo usado para o prazer.  O filme de Julião Sarmento divide a tela em quatro, e em quatro idiomas temos mulheres narrando uma mesma cena, que vai ficando cada vez mais brutalmente sexual, como se estivessem contando sobre um passeio no parque. É interessante ver o sexo, em especial práticas mais hardcore, como narração. Há um erotismo em olhar para aquelas mulheres e imaginá-las como protagonistas da cena (o texto é em primeira pessoa), mas a “verdade” está justamente na violência do que é dito, pois o extremo dá força à confissão. Aí, perde a força.

Como eu disse, o projeto ainda está em aberto e mais curtas virão. Sou da opinião que devemos ao menos conhecer as coisas, e no caso de arte, a forma como somos atingidos é quase tão pessoal quanto a própria criação artística. Então recomendo que, se tiverem chance, assistam o filme. Não é exatamente a sétima, mas é arte.

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