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Festival do Rio: “A Floresta Que Se Move” não chega a lugar nenhum

Foi em meio a insistentes risadas de constrangimento e muito humor involuntário que o filme A Floresta Que Se Move, de Vinicius Coimbra, passou pela penúltima noite da Première Brasil do Festival do Rio 2015.

Antes de começar a sessão, o diretor disse que “seu filme existe para comprovar que o cinema brasileiro vai além de comédias“. Entretanto o discurso não se sustenta em seu filme, que marca o retorno da atriz Ana Paula Arósio, após anos afastada do ofício.

Fazendo uma analogia moderna a trama de Macbeth, Coimbra reveste seu filme de um artificialismo novelesco e ainda pouco aprofunda as peças de seu previsível jogo. Basta prestar atenção na caricatura que Ana Paula vai construindo de sua Lady MacBeth, que até ganha uma “coroa”, assim como os diálogos primários como “o belo é feio e o feio é belo“.

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Na trama ela é Clara, casada com Elias (Gabriel Braga Nunes), executivo bem-sucedido que trabalha em um dos maiores bancos privados do Brasil. Ele teve todas as oportunidades de sua vida profissional dadas por Heitor (Nelson Xavier), presidente do banco.  Na volta de uma viagem de negócios, chegando ao banco, Elias se depara com uma bordadeira misteriosa (Juliana Carneiro da Cunha), que diz que ele se tornará vice-presidente ainda naquele dia e presidente do banco no dia seguinte. Clara, instigada pelas previsões, sugere que seu marido convide Heitor para jantar em casa naquela noite. Pois é! Ouvia-se durante toda projeção muitas risadinhas de deboche com algumas cenas, especialmente as do clímax final.

A reinterpretação de um dos textos mais importantes da História, vira um pastiche do mundo dos executivos, que ostenta tudo – até uma irritante plasticidade – menos a chance de atualizar Shakespeare sem soar ridículo em seu próprio tempo…

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