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Festival do Rio: Gonzaga – De Pai Para Filho

 

Breno Silveira virou uma espécie de Midas do cinema brasileiro por ter logrado o maior êxito da retomada até então com seu “Dois Filhos de Francisco”. A cine biografia da dupla Zezé di Camargo e Luciano alcançou um número de pagantes que não se via desde os áureos tempos de Os Trapalhões e as pornochanchadas, despertando um interesse até em quem não era fã da dupla. Passados alguns anos, o diretor revelou que planejava filmar a história de Luíz Gonzaga e, certamente, sabia que haveria maiores chances de boa aceitação. Enquanto no filme sobre a dupla sertaneja ele teria que quebrar a resistência dos que execram o segmento musical, além da árdua tarefa de tratar de personagens vivos, com Gonzagão a coisa seria em tese mais fácil, pois não há uma rejeição à sua música na mesma proporção, além do fato de se tratar de uma lenda da cultura nacional.

Gonzaga – De Pai Para Filho (Brasil/ 2012), filme que abriu o Festival do Rio em sessão de gala no Cine Odeon na última quinta feira, parte do reencontro difícil de Gonzaga pai e Gonzaguinha quando esse estava no auge da popularidade e aquele era apenas lembrado quando se falava em música nordestina. Daí, o pai desfia o novelo de lembranças ao filho em uma entrevista que serve de reconciliação. A idéia era contar a saga do Rei do Baião tendo como fio condutor sua conturbada relação com o filho.

O capricho da produção é o que mais salta aos olhos. Como não se maravilhar com o primoroso trabalho de fotografia de Adrian Teijido? A direção de arte e reconstituição de época também são capítulos a parte. Porém, talvez o maior mérito da película seja a direção de atores; Chambinho do Acordeon, que sequer é ator profissional rendeu uma atuação sublime e comovente, além de uma caracterização irrepreensível na fase áurea de Luíz Gonzaga. Já aos sessenta e nove anos quem o interpreta é Adélio Lima, ator que trabalha como recepcionista do Museu do Forró em Caruaru, caracterizado como Gonzaga.

Merece também destaque a atuação e caracterização de Júlio Andrade, o Gonzaguinha. Nanda Costa, a estrela nacional da vez,brilha como Odaléia Guedes, o grande amor de Luís e mãe de Gonzaguinha. O pai de Luís, Januário, é que merecia uma participação maior, uma vez que foi um personagem de forte relevância na saga do ídolo nordestino. Na trama, o personagem é bem interpretado por Cláudio Jaborandi, mas pouco explorado. Quem sabe isso não ocorre na minissérie da Globo na qual estará incluído tudo o que foi filmado e não coube no filme?

As comparações com Dois Filhos de Francisco são inevitáveis, não por ser uma cine bio de um grande nome da música brasileira, mas pelos recursos usados pelo diretor. Estão lá os mesmos enquadramentos, tomadas amplas, uma árvore em quadro com o personagem recostado nela, no fundo um céu azul e uma vasta área descampada. Claro, todo cineasta tem sua marca registrada e tem todo direito de recorrer a ela, mas nesse caso, fica uma incomoda impressão de certa falta de criatividade e repetição, seguindo a lógica de que não se meche em time que está ganhando. Por outro o filme ganha da película de 2005 quando a trama se muda para o núcleo urbano. Se Dois Filhos deixava uma sensação de empobrecimento na fotografia e nos enquadramentos quando a trama saiu do cenário rural, neste aqui isso não ocorre.

Gonzaga – De Pai Para Filho é a grande aposta do cinema nacional desse semestre e nele são depositadas as esperanças de salvar um ano fraco na venda de bilhetes para filmes brasileiros. O filme ainda terá mais três exibições no Festival do Rio neste sábado às 19h30 no Cine Carioca e no domingo às 16h30 e 21h30 no Cinemark Botafogo.

[xrr rating=4/5]

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