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Festival do Rio: Leos Carax realiza um devaneio sobre a existência em Holy Motors

Dizem que o grande barato da profissão de ator é encarnar várias vidas em uma só. Ao longo de uma carreira você pode ser um vilão, herói, mendigo, magnata, mafioso, filantropo. Em Holy Motors (França/2012) o diretor Leos Carax faz uma metáfora onírica dessa possibilidade. Na trama, o fio condutor é um homem (Denis Lavant) que vive de…viver várias vidas em várias situações, desde uma velhinha cigana pedinte nas ruas de Paris, passando por um pai de família zeloso com sua filha, até um idoso em seu leito de morte. E no caminho, ele cruza com pessoas que se ocupam do mesmo ofício.

A proposta do cineasta não fica clara de inicio, mas com o desenrolar da trama, vai se evidenciando sua intenção de desafiar, subverter e questionar papéis, que são muitas vezes impostos à maioria das pessoas, e ao mesmo tempo, criticar o constante uso de “máscaras” no convívio social, onde a autenticidade e a franqueza são relegadas a um espaço restrito e quando vêm à tona, seria somente em momentos convenientes… Pelo bem do convívio social.

Os papéis interpretados pelo protagonista não raro transitam pela insanidade. Não seria insanidade vivermos em função de interpretar papéis? Vivermos em função de corresponder expectativas alheias? Esse é o questionamento. O filme conta também com participações ilustres como a atriz Eva Mendes e a pop star e atriz Kyle Minogue.

Sem rodar um longa desde 1999 (em Tókio! ele dirigiu apenas um dos segmentos e 42 One Dream Rush era um curta), Carax entrega um filme que causa desconforto, seja gráfico, seja pelo conceito, fora dos padrões narrativos a que boa parte do público está habituado.

Paris está ao fundo, linda e imponente, mas é apenas uma testemunha ocular desse devaneio, em momento algum a cidade é homenageada como em Paris Eu Te Amo ou Meia Noite em Paris. Mas ela está ali, jogando a favor da direção de fotografia, como de costume.

Holy Motors certamente será aquele filme conhecido como “ame-o ou deixe-o”, a exemplo de L’Apollonide e qualquer filme do Cláudio Assis, e por isso mesmo, merece ser visto. Renderá acaloradas discussões em bar

[xrr rating=3/5]

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Publicado por Cesar Monteiro

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