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Festival do Rio: A precisa honestidade do ótimo “Tudo O Que Aprendemos Juntos”

Tudo O Que Aprendemos Juntos acabou se revelando uma ótima escolha para fechar a boa safra da Premiere Brasil do Festival do Rio 2015.

Novo filme do diretor (cada vez mais eclético) Sérgio Machado, é um drama dos mais honestos, mesmo partindo de uma premissa previsível: inspirado na peça “Acorda Brasil”, escrita por Antonio Ermírio de Moraes a partir da experiência do Instituto Baccarelli, projeto que oferece formação musical e artística para jovens da comunidade de Heliópolis, o longa acompanha a história de Laerte (Lázaro Ramos, preciso), um talentoso violinista que se vê obrigado a dar aulas de música na comunidade de Heliópolis em São Paulo depois de várias tentativas fracassadas de integrar a Osesp (Orquestra Sinfônica de São Paulo).

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É fácil lembrar de filmes americanos que se fizeram em cima desse ponto de partida, mas Machado tem a seu favor a propriedade da realidade brasileira, em especial da violenta periferia paulistana, com suas complexidades urbana e sociais. O roteiro se alinha nessa particularidade sem fazer sensacionalismo professoral, artimanha tão comum nesse tipo de dramaturgia.

O filme constrói relações na própria história e no espectador (o elenco formado pelos alunos é realmente muito bom), e chega a esperada catarse final, sem sacrificar sua dignidade como discurso (repare na ironia dos termos da cena final do cartão de crédito, para entender não só esse êxito, como a subjetividade que é radiografar o Brasil). 

Tudo O Que Aprendemos Juntos sabe emocionar pelo que é, não pelo que pretende ser, como cinema ou representação social vista de fora.

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