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Festival do Rio/Premiére Brasil: A falta de consistência de “Beatriz”

Primeiro longa metragem da Premiére Brasil, seleção de filmes nacionais de ficção do Festival do Rio 2015, Beatriz inaugurou a mostra – que aparenta ser uma das melhores em anos – de maneira um tanto decepcionante. Quatorze anos depois do último filme, o fraco O Dia da Caça, o diretor Alberto Graça investe numa trama que se pretende complexa, mas que não consegue em nenhum momento arregimentar suas pretensões.

Na trama, a advogada Beatriz (Marjorie Estiano) se muda para Lisboa com o marido, Marcelo (Sergio Guizé), um escritor em fase de bloqueio criativo. Quando ele volta a produzir, usa a história do casal como fonte para o novo livro, o que acaba virando um jogo em que se confundem realidade e ficção. Paralelamente, uma encenação para o teatro da obra de Marcelo é apresentada, como se fosse uma percepção metalinguística do que já estamos acompanhando.

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O roteiro é problemático principalmente nessa intersecção entre o que pretende ser e o que fragilmente o é. Alberto também demonstra pouco domínio sobre sua trama, num ritmo frouxo e até mesmo carecendo de maior polimento em sua direção de atores (o geralmente bom, Guizé está perdido numa atuação bem esquisita). Vale ressaltar a correta fotografia das cidades europeias da qual o filme é todo ambientado. Mas fica uma sensação de desperdício e até banalização de locações, para uma história tão mal alinhavada. Não tenho dúvidas de que a safra da Premiére esse ano seja promissora, mas Beatriz definitivamente, não representa essa possibilidade.

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